quinta-feira, 31 de março de 2011

Ressocialização Ambiental

     Tarde de reunião da equipe de facilitadores do Curso do Programa de Ressocialização Ambiental, realizado bimensalmente pelo Ministério Público Estadual (MP-RO) e Ibama. A primeira edição foi em agosto de 2009 e a 11ª. ocorrerá na semana de 04 a 09 de abril, na sede da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FESMP).
     Oferecido como uma alternativa ao cumprimento de pena de prestação de serviço à comunidade e às condições previstas para a suspensão condicional do processo, o Programa de Ressocialização Ambiental tem o objetivo de sensibilizar os infratores ambientais para mudanças de hábitos e práticas quanto à utilização dos recursos naturais, através de palestras, dinâmicas de grupo e práticas educativas ambientais, fazendo com que os infratores revejam alguns conceitos. A iniciativa foi selecionada e concorreu ao Prêmio Innovare2010 na categoria Prêmiação Especial.
     Somos um grupo interinstitucional, formado por facilitadores do Ibama, Sipam, Seduc, Sedam, Sema, Batalhão de Polícia Ambiental – BPA, Polícia Militar – PM-R , Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio , IDARON, EMBRAPA, Amazônia Adventure; Associação Cultural Tribo do Mato, Faculdade São Lucas, Universidade Federal de Rondônia – UNIR, ONG´s Karipunãs e Acqua Viva. Contamos com o apoio do Instituto de Artes Mirtes Rufino, localizado em um sitio onde se faz o encerramento do curso, com atividades práticas de educação ambiental.
     Por vários motivos, gosto muito desse trabalho, dentre os fatores motivadores está a abnegação de mulheres como a Professora Izabel Cordeiro Silva (Educadora e Analista Ambiental do Ibama) e as promotoras, Dra. Aidée Torquato e Dra. Andréa Ferreira Engel , respectivamente 1ª e 2a Titulares da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente do MP-RO, e mãe e madrinha do Programa.
     Outro, é a dedicação, boa vontade e interesse dos facilitadores, dentre os quais me incluo, que voluntariamente participam do programa. Na reunião de hoje o assessor jurídico do MP, Flávio André M. Araújo comentou, que lhe perguntaram quanto ganhávamos , pois “brigamos” para estar na programação. Não ganhamos nada além da oportunidade de atuarmos como educadores ambientais e nessa interação com os infratores, levar informação, reflexão e estimular a ação cidadã.
     Trabalho com o tema percepção ambiental e, além de falar sobre a contribuição da Embrapa como instituição científica, uso músicas de artistas da amazônia, que tratam da temática ambiental, para as reflexões sobre o assunto.
     Não é um trabalho fácil, numa turma de em média 30 participantes, a maioria homem, sempre há um ou outro que de início demonstra má vontade em estar ali (não são obrigados, mas é uma mas ao final se rendem , participam, se comprometem e na avaliação deixam belos depoimentos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O mundo de tia Amélia

     Foi numas férias em Macapá, no ano de 2006 , que minha tia  Amélia, se tornou diante de meus olhos , um tipo inesquecível.   Eu acompanhava mamãe em visita à  viúva de meu tio Manoel Borges, cuja virtuose no cavaquinho esta registrada em livro sobre a História do Amapá.  Desde que morreu meu tio, ela mora com um filho, nora, netos e bisnetos, convivendo com a pobreza, sujeira e conflitos familiares.
     
Foto:Divulgação/RedeGlobo
     Aos 92 anos, trêmula, caminhava com dificuldade. A casa, há anos em obras, não lhe permite circular com segurança. Não vai sequer ao pátio, pegar sol, ver o movimento da rua. Da mesa de refeições , onde mais conversa do que come, recolhe-se ao seu quartinho e ao seu mundo visto pela televisão, onde acompanha terços , missas, e a novela “Páginas da Vida”, sem entender: - como pode existir uma mulher tão má como a Marta? ( a personagem de Lilia Cabral)

Em poucos minutos, um mundo de coisas me passou pela mente e pelos olhos, inclusive um rato que cortou caminho pelo quarto.
     Do tio lembro-me que era calado e tinha um olhar sempre triste. Já tia Amélia, fala, fala, fala...mas nenhum palavra-lamento sobre sua vida miserenta. Só gratidão às pessoas que lhe querem bem, dentre eles a nora Bel e Ivanildo o filho mais velho. Este, a visita todos os dias, limpa os chinelos dela e, quando insiste muito, consegue levá-la até o pátio.
     A nora, que ainda chora a morte do filho que teria 20 anos, se não tivesse sido assassinado há três; lamenta a má-sorte da filha, que vive confinada no quarto, porque o pai não aceitou conviver com sua gravidez de adolescente, nem com a criança que já está com mais de um ano. Este pai é o mesmo marido, que não permitiu que Bel fosse trabalhar fora, mesmo tendo sido aprovada em um concurso público. A pobre lamenta e sonha: - não posso morrer, sem realizar meu sonho de ter uma máquina de costura.
     Tia Amélia se emociona com as lembranças do Amapá, dos seus amigos Lulu e Mundinha. Porém, quando me ofereço para levá-la até seus amigos, ela diz: - hoje não, hoje não posso! como se quisesse adiar a realização deste pequeno sonho e assim prolongar a própria vida. Despedimos-nos com ela em prantos, prometi voltar para buscá-la. Tia Amélia voltou para seu quartinho, para o seu “domingão legal” diante da TV.
     A noite fui à missa na Igreja Jesus de Nazaré. No início da liturgia, uma senhora franzina, dessas que facilmente chamamos de doida, foi até a frente do altar e depois de fazer mesuras em frente ao Cristo crucificado, começou a falar destrambelhadamente, com gestos de indignação, coisas das quais só captei algumas frases: - o pobre precisa ter uma vida digna!!! Todo pobre é filho de Deus e merece ter “isso e aquilo” outro dizia, enumerando com o indicador da direita nos dedos da outra mão.
De imediato me lembrei de tia Amélia, que talvez não tenha a consciência de que todo pobre merece ter uma vida digna. Lembrei dos governantes que fazem suas promessas enumerando-as nos dedos das mãos. Pensei que, ao nos acomodarmos na “normalidade” deixamos de nos indignar, como a “doida” que subiu ao altar.
Notas:
1- Crônica originalmente publicada em 2007 no site do  CorreaNeto
2- Lembrei , que há 6 meses comprei uma máquina de costuras e nunca a usei. Vou ver se Bel ainda está sonhando com uma máquina , a minha será dela!

terça-feira, 29 de março de 2011

TODOS amaram Lelena !

     Minha paixão por ler autobiografias começou, aos 10 anos talvez, quando li "Saudades" de Thales de Andrade. Apesar de ter a idéia de que escrever autobiografia é coisa para "gente importante", sempre que leio uma, mesmo aquelas veladas, em que o autor inventa um personagem que é todinho ele mesmo, me vem a vontade de escrever a minha própria estória, pois ela se assemelha a tantas outras que já li, dessa gente que se tornou “importante”, e que me trouxe tantas emoções com a estória de suas vidas.
     Foi assim com Lindanor Celina em "Estradas do Tempo Foi", com Simone de Beauvoir em "Memóires de une jeune fille bien rangé", com Maria Helena Cardoso, a Lelena,  autora do livro que inspirou o nome deste Blog, como já contei AQUI ! 
     Não tenho certeza do ano em que ano li o “ Por Onde…” , penso que foi no limiar dos anos 60-70, pois o livro pertencia a Raimunda, nossa empregada, que o ganhou, quando estudante do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL).
     Sei dizer que a leitura desse livro acentuou em mim o gosto por autobiografias. Quando acabou, ficou o gosto de quero mais e a melancolia, como se eu também, tomada pela saudade dos personagens com quem acabara de conviver, ouvisse os passos que ecoavam pela casa e pela memória da autora.
     Em busca no google descobri que não estou só e estou bem, acompanhada: os escritores Caio Fernando Abreu e Wilson Bueno (ambos já falecidos) mencionaram a autora e sua obra, em seus escritos:
Escreveu Wilson Bueno:
“… Convivi e freqüentei Maria Helena Cardoso, praticamente até sua morte, aos 94 anos, em 1997, ela, a “irmã sempre”, de Lúcio, que era como Clarice Lispector, também íntima dos Cardoso, chamava a eterna Lelena [...] Lelena era então best seller nacional com um livro humaníssimo e singelo, “Por Onde Andou Meu Coração”.
Leia mais, leia tudo: Aqui!
Escreveu Caio FernandoAbreu:
            Conheci o Rio de Janeiro em 1968. Tarde demais, pensei na época. Já não havia o Cassino da Urca, estrelas de cinema deixando o decote cair nos bailes do Copa ou reuniões de bossa nova na Rua Nascimento e Silva cento e sete cantadas por Vinícius de Moraes. Troppo, troppo tardi eu pensava em italiano por influência talvez de Gina Lollobrigida, vadiando encantado por Ipanema com Maria Helena Cardoso, a Leleninha, irmã do Lúcio Cardoso e autora de uma das mais belas autobiografias publicadas neste país (Por onde andou meu coração?, quem lembra?).
                        Leia o texto completo: Aqui! (Para-ler-ao-som-de-vinicius-de-moraes)
Quem leu? quem lembra?  Deixe seu comentário !

segunda-feira, 28 de março de 2011

Primeiras letras

Eu, aos 3 anos
Eu menina, aprendi a ler no jornal Última Hora. Fui alfabetizada aos quatro anos de idade, numa época em que “escola particular” era a sala de uma residência onde uma abnegada leiga dava aulas de alfabetização e reforço. Estudei na escolinha da D. Elvira, uma negra de olhos claros e fala doce.
Portanto, desde cedo desenvolvi o gosto pela leitura. Em casa não tínhamos nenhuma estante para chamar de biblioteca. Aos finais de semana eu adorava ir “passar o dia”, na casa de minha madrinha, a professora Cesaltina, que morava na Hamilton Silva, próximo ao Estádio Glicério Marques; ou na casa de meu tio Borges, na Leopoldo Machado, no então bairro Jacareacanga.
Ambas as casas tinham o meu lugar preferido, um quarto com uma estante cheia de livros, onde eu mergulhava na leitura das “...mais belas histórias” e me esquecia do mundo. Foi aos 10 anos talvez, quando li "Saudades" de Thales de Andrade, que desenvolvi um fascínio especial pelos livros de memórias.
     Que eu me recorde, os primeiros livros que tivemos em casa foi uma coleção de capa dura vermelha, que mamãe, com muito sacrifício, pagou em dolorosas prestações. Neles li textos que nunca li em nenhum outro lugar, como a crônica em que uma garota interpelava: papai o que é plebiscito?
     Não tínhamos livros, mas a compra de jornal era sagrada como a compra do pão nosso de cada dia. Meu pai me incutiu o gosto por ler jornal. Quando Macapá não tinha seus jornais diários, ele comprava jornais do Rio de Janeiro e de Belém. Foi assim que eu menina, lendo as manchetes sobre o Esquadrão da Morte no Jornal UH, aprendi as primeiras letras, para além do “vovô viu a uva”.
     Esse fato me elevou a condição de atração da casa. Quando chegava uma visita, sempre me pediam para ler o jornal. O carequinha “tio” Álvaro Bonfim, um primo de mamãe, ficou muito admirado e vaticinou que eu seria jornalista.
Lembro também que quando era pré-adolescente, magrela desenxabida, ele costumava dizer que quando eu ficasse moça seria muito bonita. Na primeira ele acertou, quanto a segunda previsão, fica a critério dos olhos de cada um, os meus, vez por outra encontram no espelho uma mulher bonita, muito bonita seria exagero.

domingo, 27 de março de 2011

Nilo: 25 anos

Meu primogênito completa hoje 25 anos de vida.
Ele já nasceu grande: 4,300 kg e 53cm. Foi ao amanhecer de uma Quinta-feira Santa, no Hospital Adventista, em Belém-PA. Justo no dia em que o médico anunciou ser a data provável do parto.
Até hoje ele é assim: responsável, pontual e grandão. Na maternidade diziam: - parece menino de um mês!
Ele cresceu tagarela e curioso. Mil “porquês”: - Mãe o que acontece se eu dormir em pé? Cobra é marido ou mulher?
Ele já quis não se chamar Nilo, mas desistiu da troca, quando disse-lhe que poderia se chamar Amazonas, só mudaria do maior rio em extensão, para o mais caudaloso. Do alto de seus 2,04m de altura, ele é assim, longo como o rio Nilo.

Nunca pensei, que eu pudesse ter um filho tão grande e tão calado, depois da infância tagarela.
Quando ainda andávamos os três num só carro, ele as vezes tirava brincadeiras com a irmã, mas quando ela descia, ficavam: eu, ele e o silêncio. Ou mais, porque eu não desisto nunca:
- é treinamento de que filho? Ele resmunga: - é um treinamento chato!
As vezes acho que ele detesta ter uma mãe tagarela, metida à gaiata, que tem orkut, blog, twitter, joga voleibol e ainda desfila!??
Seja o que for , ele é o meu filho, grandão, bonitão, chatão. EU O AMO a minha maneira, como ele a mim, mesmo se não me faz mais cafuné e só me chama de D. Porruda.

Rezo por ele, entrego minhas preces a Jesus Misericórdia e ao padroeiro do Parque São Jorge, pois como na poesia de Nilza Menezes, se o Corinthians do meu filho perde eu choro!

E neste dia de festa, foi também dia de choro: São Paulo 2 x 1 Corinthians.

sábado, 26 de março de 2011

Sábado

O sábado foi de festa, 14 novos colegas ofereceram um  churrasco aos veteranos. Horário do evento: 16h, grafado num convite bem bolado. Só fiquei na dúvida se seria um almoço tardio, ou um jantar adiantado? 
Mas enfim, foi um churrasco das 16 e foi uma festa bacana, há muito tempo não via uma reunião com tantos colegas, não sendo uma festa promovida pela associação de empregados.
Conversei, fotografei e ri muito com minha conterrânea Chica Dias, entrevistando  candidatos à genro. Volta Karina!
Os novos colegas são em sua maioria originários das Minas Gerais, tudo genti boadimais da conta, nossinhora! que sejam todos bem vindos!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Simplicidade e Presença ...

Dentre as mensagens de final do ano - 2010, recebi uma de minha amiga Lili, uma mineirinha que conheci na caixa de comentário de algum blog, nos idos de 2003 e com quem firmei uma amizade para além do virtual, a ponto  de nos tratarmos de "mana".

A mensagem de Lili dizia assim:
     " Que 2011 seja de SIMPLICIDADE: nas ações, nas convivências, nos sentimentos, nos pensamentos! Seja um 2011 de PRESENÇA: esteja presente "de verdade", foque sua mente naquilo que você está fazendo (dirigindo, escovando dente, lavando louças,levantando da cama, trabalhando...)! Isso é transformador e libertador!"

Tomei isso, como propósito de Ano Novo: ser simples, ser presente. E isso tem sido um delicioso desafio no dia-a-dia.
Outro dia, para acompanhar namorido em suas obrigações sociais, fui a um aniversário, em que eu não conhecia ninguém, nem a aniversariante e seus pais. O anfitrião, nos apresentou a mãe dele,  uma vovó animada com os 15 anos da neta. Quando vi que ela estava dançando sozinha, levantei e juntei-me a ela na dança ( dançar sozinha eu sei também hehehe) e dai para garamos num papo,  foi no minuto seguinte ao que ela disse que era mineira. Dançamos, conversamos, fotografamos e nos despedimos,com elogios mútuos à simpatia e eu prometendo ir  visitá-la. Simples assim!
Mas nem sempre funciona . Nesta semana fui ao supermercado com a filha, quando estávamos no caixa ela me disse , "vou ali..." . Quando acabei de pagar, me dei conta que não prestara atenção , onde ela disse que iria. Procurei-a em todas as lojinhas de dentro do supermercado e nada! 
Dirigi-me para o estacionamento. Minha mente fértil e escorregadia na maionese, que sempre conta as coisas em forma de depoimento para um delegado ou de entrevista para um repórter, já se imaginou tendo que registrar o desaparecimento da filha. E pior! com enorme dor na consciência por  sequer saber dizer onde a filha dissera que ia!
Me dei conta, faltou Presença!  Na hora em que ela disse "vou ali..." , eu deveria ter saido do foco "compras sendo pagas"  e me  ligado no plano de vôo da filha, ter ouvido a mensagem completa "... vou ali na farmácia".
Fica o desafio, experimente ser simples, ser presente e seja muito mais feliz!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Estão rindo de que ???

Sou fã de uma boa comédia e adepta da recomendação de tia Mundinha: - minha filha, dê pelo menos uma gargalhada por dia, dizia ela, que não perdia a oportunidade de rir, mesmo quando não entendia a piada!
Mas, acho que estou com um problema sério. Não estou conseguindo rir de piadas (imagens em vídeo) que comumente  me chegam pelo e-mail, com a promessa de risadas garantidas.
Tem aquele do garoto gordinho, se movimentando diante do computador, fazendo caras e bocas, cantando a música que na versão nacional, virou um tal de “vai rolar bunda-lê-lê”. Aquele outro campeão de acessos, o da Dra. Ruth, a nutricionista que virou celebridade instantânea, devido ao delay na transmissão de uma entrevista, que a fazia repetir sanduíche-íche.
Já cansei de dar uma chance, aos que  colocam no assunto do e-mail: "eu ri muito" em geral, se vou lá conferir , não rio tanto assim, ou não acho graça nenhuma! Eu me nego a dar link para algumas  bobagens que chegam a ser estúpidas como piada.
Não vá , não perca seu tempo, ou por outra, faça uma busca na memória da sua CPU craniana : - quando foi mesmo a mais recente vez em que deu uma boa risada?

Eu fiz, não precisei ir longe: foi logo ali , no sábado,  pouco antes do almoço, uma faxina num quarto e a necessidade de fazer descer um colchão pela sacada. Eu  e os filhos no alto da sacada, embaixo namorido para aparar um pesado colchão de casal.

Talvez temendo que deixássemos cair o colchão em cima dele, passou a nos dar orientações, que nos pareciam óbvias: - segura, vira assim, pega assado, solta ! Quanto mais eu lhe dizia calma! Mais ele repetia orientações nervosas.
Imaginei a cena: o colchão caindo sobre ele, só parte das pernas e mãos aparecendo, como nos melhores desenhos animados. Acho que passou o mesmo na imaginação de Nilo e Bia, pois atacou-nos um frouxo de riso, aí sim, ele correu risco , desorientado nos perguntava: - estão rindo de que?

E você , quando foi a mais recente vez em que deu uma boa gargalhada?
responde ai na caixinha de comentários!

Atualizando: Olha o que eu achei! Uma deliciosa crônica de Caio Fernando Abreu , sobre a arte de dar risadas: Jamanta

quarta-feira, 23 de março de 2011

Fumacê Táxi Aéreo

     Hoje acordei com um barulho de motor muito forte, julguei que era uma betoneira preparando material para a laje da construção ao lado. Não era, mas o fato é que, uma coisa leva a outra, eu lembrei de um caso que se sucedeu lá na empresa há alguns anos passados.
     Esta é uma das muitas estórias que tenho coletado junto aos empregados da Empresa. Contada assim parece piada, mas é história da vida real, que quando recontada, faz valer a máxima: a gente ganha pouco mais se diverte.
     Era início da noite, e dois colegas esticavam o horário de expediente no Setor de Informática, para concluir um trabalho inadiável. De repente ouviram um ruído de motor, que cada vez mais se aproximava do prédio da Empresa, que fica localizada praticamente ao lado do Aero-Clube de Porto Velho.
     Os dois se entreolharam assustados. Quando o barulho ficou cada vez mais próximo e perceberam uma fumaça, o mais jovem disse: - acho que esse avião vai cair aqui. O outro não quis esperar pra ver, nem tampouco, até hoje, sabe explicar como tão rapidamente conseguiu voar por uma janela do tipo basculante.
      Saiu em desabalada carreira e só parou quando se deu conta que o barulho e a fumaça, que parecia de um avião em queda, era na verdade, de um equipamento usado por um funcionário da Fundação Nacional de Saúde que estava fazendo o serviço de borrifação espacial (fumacê) de combate ao mosquito da malária.


Fotos: extraidas do site: http://acritica.uol.com.br/

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial da Água

     Em dia comemorativo ao precioso líquido e em dia de muito trabalho, nada melhor que ouvir Guilherme Arantes tocando e cantando a música Planeta Água o hit mais lembrado, quando se pensa em cantar a importância da água na nossa vida.

Desde a adolescência fui fanzoca de Guilheme Arantes, a ponto de escrever poesia bobinha:

“É Edson (Pelé) no futebol / é Guilherme na canção/ são estes os dois Arantes/ que brilham em meu coração”. (tá liberado, podem rir!)

     O Pelé foi só pra rimar, fã mesmo  eu era do Guilherme Arantes, que além de tocar e cantar, fazia o tipo “gatinho” com sua vasta cabeleira e um pingente com uma clave de sol.
     A paixão perdurou por muito tempo. Eu tinha todas as fitas K7, além de um compacto duplo. Sabia de cor todas as músicas. Quando da minha primeira gravidez, ouvia direto um disco que tinha a música “… tudo gira em torno dela grávida, vida grande dádiva...” e outra que influenciou a escolha do nome do meu filho: “ … num dia longo, como o Rio Nilo…”.
     Em novembro de 2008, além da alegria de ter sido agraciada com o Prêmio Professor Samuel Benchimol , foi Guilherme Arantes quem fez o show da festa de entrega do Prêmio. Fechou o pacote de felicidade daquela noite: cantei junto todas as músicas!
     No final, achando que já tinha passado, e muito, da adolescência para tietá-lo, pedi para entrevistá-lo. Eu estava cursando jornalismo, e a entrevista serviria para o jornal laboratório da Faculdade. Foi uma meia mentira, ou uma meia verdade.
     Entrei no camarim, junto com algumas jovens. Diante do idolo da adolescência fiquei meio atrapalhada, a naturalidade, ou o ar blasé com que costumo me portar diante de famosos, desta vez não funcionou.
     Desandei a falar, misturando um “ sou tua fã desde criança…” (risos) com perguntas: - vc. tem idéia da contribuição que uma música como a Planeta Água pode dar para o trabalho de educação ambiental?   Ao mesmo tempo contei do meu trabalho com música amazônica;  e do meu jantar em Salvador (2002) na companhia da cantora Carla Visi e da Prefeita de Madre de Deus-BA, cidade onde eu soubera que ele estava morando, e onde Carla pretendia implementar um projeto de EA.
     Não lembro o que ele respondeu, e não dá nem pra ir ler no jornal da Faculdade.  A matéria nunca foi escrita, e portanto nunca publicada. Sai de lá um pouco frustrada, porque Guilherme Arantes não sorriu, foi apenas atencioso, mas não simpático.

Entreguei a ele um folder com informações sobre o meu projeto premiado, e fui saindo, não sem antes fazer uma foto que me intriga até hoje:  estando eu com 8cm de salto + os meus 1,78m de altura, como Guilherme Arantes, conseguiu ficar praticamente da minha altura?

segunda-feira, 21 de março de 2011

França, um sonho premiado

Em 2001, ao retornar de minha primeira viagem à França, trouxe além da satisfação de um sonho realizado, muitas fotografias e a certeza de que queria voltar. Mas não fiz o primeiro esforço necessário para concretizar mais um sonho: economias.
Se a primeira viagem foi como um prêmio que me concedi por ter concluido meu Mestrado, a segunda foi realmente um Prêmio. Em 2008 eu fora agraciada com o Prêmio Samuel Benchimmol, por meu projeto de Educomunicação Cientifica para a inclusão social de jovens ribeirinhos.
Festa da entrega do Prêmio, em Palmas -TO, nov/2008

O Prêmio patrocinado pela Federação do Comércio dos Estados da Amazônia, além de ser um importante reconhecimento ao mérito técnico do meu trabalho, me gratificou financeiramente com uma quantia, que não se destinava a execução do projeto, para livre uso do pesquisador premiado.
Foi assim que decidi, empregar parte do dinheiro ganho para conciliar estudo e lazer. A meta principal era participar de um atelier de Divulgação Cientifica em Paris e fazer uma imersão em lingua francesa.
Da decisão à execução do plano se passaram três meses. Desta vez nada daria errado pensei, lembrando da viagem anterior, quando no dia da embarque , num dia 03 de junho, fui barrada por falta da carteira internacional de vacinação.
Em dezembro/ 2008, escrevi para o Centre de Vulgarisation de la Connaissance , da Universidade d'Orsay - Paris-SUD, solicitando a inscrição. Eles responderam me enviando informações, entendi ser um aceite. Comprei as passagens para o período do evento. Tranquila, viajei para Macapá de férias, só quando retornei ao final de janeiro, foi que resolvi confirmar minha inscrição.
Para minha surpresa e desapontamento, não havia mais vaga. Gastei todo o meu vocabulário de gentilezas em francês, para escrever um longo e-mail, pedindo reconsiderarem, pois eu já estava de passagem comprada. Lição no.1 , com francês não tem jeitinho, nada de vaga extra no Atellier, mas aceitaram me receber para uma visita ao centro.
Tentei não me deixar abater por isso, afinal , estava perdendo a chance de dois dias de estudo sobre vulgarisation scientifique, mas o reencontros com amigos e novas descobertas me esperavam. Assim no dia 13 de março, embarquei, dando inicio ao meu rally Paris-Paris na França.

domingo, 20 de março de 2011

Lua , luar...

O perigeu  da lua cheia foi pauta na mídia e suscitou muitos suspiros e uivos ao luar, na real ou na net no dia de ontem.
     Nas vespéras, acordei as 4 horas da matina e a lua estava lá à direita da casa a iluminar minha varanda. A noite, o céu cheio de nuvens não me deixou vê-la cedo, mas quando ela apontou na madrugada linda e lua , aproveitei para tomar banho de lua e de chuveirão no quintal. Lembrando a quadrinha da infância, pedi bençãos:

" A benção mamãe lua,
e me dê boa ventura ,
que meus cabelos cresçam
 e me batam na cintura."

Mais que uma poesia, era mesmo uma oração, já que na infãncia, eu ansiava por ter cabelos lisos e longos que nem os de minha irmã Zany, façanha que meus  cabelos carapinha nunca me permitiam alcançar!

Não é que eu me ufane, tampouco é bairrismo, mas o mais belo luar que já presenciei, seja em perigeu ou em apogeu, foi mesmo á beira do Rio Amazonas.




Graças à  escova definitiva os cabelos alisaram, cresceram, e se não bateram na cintura, pelo menos passaram dos ombros.                                                       Fotos de dez/2009 no trapiche de Macapá.

sábado, 19 de março de 2011

Um tipo inesquecível : Seu Júlio

     Com sua longa barba grisalha, suas roupas rotas, Seu Júlio era um velhinho que parecia um personagem saído do livro As Mais Belas Histórias. Sua casa quase na esquina da Jovino Dinoá com a Av. Feliciano Coelho, em frente ao Cine Paroquial em Macapá, era um misto de residência e oficina, onde ele fabricava suas vassouras de cipó titica, peneiras, gamelas e escorredores de pratos em madeira.
     Quando o via passar com sua acentuada corcunda, carregando sobre os ombros suas vassouras, que ele vendia de porta em porta, eu sentia um misto de dó e ternura, por aquela figura tão frágil, de ar tão sofrido.
     Mamãe parecia se enlevar pelo mesmo sentimento, além de comprar os seus produtos, uma vez por mês ela lhe presenteava com uma garrafa de vinho barato, sempre recomendando, que ele tomasse só uma pequena dose por dia, que lhe faria bem ao coração. Foi também mamãe que nos ensinou a chamá-lo de Seu Júlio e não de Velho Babugem, como a molecada da rua o apelidava.
UM OUTRO JÚLIO
     Nos anos 80, quando já morava em Belém, conheci outro personagem que me fez lembrar do Seu Júlio. Era um homem que amolava alicates e tesouras. Quando fui na sua casa/oficina, localizada na Av. Conselheiro Furtado, ao lado da Igreja dos Capuchinhos, encontrei uma espécie de museu da pessoa: muitas tralhas, móveis velhos e, o que me chamou mais a atenção e ficou fortemente gravado na minha memória: as paredes eram forradas por folhas de jornais que traziam fotos de Rainhas das Rainhas de todos os tempos, soberanas do tradicional concurso de fantasias do carnaval paraense. 
 
Rainha das Rainhas dos anos 70
     
     Dentre as fotos uma que mostrava a rainha Flora e, uma espécie de vice soberana, chamada Beatriz. Ambas posavam na escada do farol da Fortaleza de São José de Macapá. Naquele exato momento, aquela foto me fez sentir saudades de casa, saudades da minha Macapá, e da infância, quando ir ao nosso mais importante patrimônio cultural, era um delicioso e aventureiro passeio, driblando os guardas, para atirar pedra nas mangueiras, ou colher goiabas das árvores existentes no alto do forte.

Fontes das Ilustrações:
Corcunda - do blog http://aditaeobalde.blogspot.com/2009_05_01_archive.html
Fotos rainhas: site da ORMN Rainha das Rainhas 2009

Dia de São José


Meu pai  José -FERRO -Vasconcelos (em pé) em noite de arraial
de São José, na Macapá dos anos 60. 
  
  Dia de festa do padroeiro na minha Macapá.
Logo me vem à cabeça a canção do Osmar Jr.:

"...meu São José da beira-mar , protegei meu Macapá..."

Protegei-nos:
 do surto de dengue e febre tifóide
do trânsito violento, assassino
do Ribamar , o homem que veio do Mar

"...meu São José da beira-mar , protegei meu Macapá... e  nos dê a fé !"

Foto extraida do blog  Repiquete: http://alcilenecavalcante.com.br/
sem identificação de autoria.

Ainda é sexta feira?

Porque a vida corre celere assim e quando a gente nem  vê a sexta-feira  já é sábado!
Imagens da semana:


quinta-feira, 17 de março de 2011

Sim, fui pobre e ainda me lembro

     No início dos anos 90, em plena era Color, de confisco das poupanças, salários defasados e engolido pela inflação; eu estava com menos de um ano em Porto Velho. Não sobrava dinheiro para os cuidados ou futilidades a que me permito hoje em dia, de ir semanalmente ao salão de beleza. Os cabelos ainda não tinham sido libertos da escravidão dos elásticos e bobies, pelas chapinhas e escovas progressivas.
Assim , quando me vi grávida, pensei que cortar os cabelos curtos, como tinha sido na 1ª. gravidez, seria a solução para a falta de $$  e tempo para os tratos.
Mas onde ir? O único salão que eu conhecia, uma portinha na esquina de casa, fora um desastre ! Quando tentei fazer um penteado para ir ao casamento de uma amiga, sai de lá com um coque, no minimo estranho, que me deixou com cara de irmã evangélica (com todo respeito as mulheres dos cabelões em coque).
Pois bem foi ai que o Dr.Hugo Granjeiro, assessor do Governador Jerônimo Santana, e seu grande amigo Tapioca ( que vem a ser o namorido) resolveram, me indicar o salão do China , que só depois vim a saber, se tratar da barbearia onde o ex-governador aparava as penugens da lateral de sua cabeça careca.
     O estabelecimento ficava em frente a um supermercado do tipo Sacolão ( hoje uma igreja URD) e ao lado de uma pizzaria (hoje estacionamento da Igreja) também de propriedade do chinês. Lá chegando , expliquei ao China como queria cortar o cabelo, ele que falava o português muito mal, deu a entender que compreendia menos ainda.
Abri a bolsa e puxei minha carteira de identidade, mostrando a foto em que eu estava com um penteado a la Chitaozinho&Chororó o must da década passada. O homem coçou a cabeça, chamou uma assistente e tentou explicar para ela o corte a ser feito. A moça se recusou, disse que não sabia. Ele tomou a tesoura das mãos dela e se preparou para atacar!

A essas alturas eu já estava de cabelo lavado e diante daquela confusão, levantei da cadeira, dei um basta: - não quero mais cortar! Quanto custa só a lavagem?
O chinês se sentiu ofendido e insistia em cortar meu cabelo. Vencido, ele cobrou pela lavagem o preço do corte. protestei, mas paguei e pedi nota fiscal, que ele obviamente não tinha. Então ele se voltou contra mim, dizendo que eu era uma mulher “mala” = má, e ficou me xingando em mandarim ou seja lá qual for a língua que chinês fala. Não satisfeito, quando eu já estava saindo, foi até a porta e ficou tomando nota da placa do carro, um Passat79. Me senti roubada e multada!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Edna, uma rainha no reino encantado da música

Era uma vez...
Num tempos muito distante, em que não existia TV em Macapá, e Xuxa, a Rainha dos Baixinhos, ainda não estabelecera seu reinado, minha irmã Zany , adorava cantar a música Banda da Ilusão, de Ronie Von, o Princípe que por tabela aprendi e canto até hoje. Eu também gostava de cantar e decorar letras de músicas, fossem as do Rei Roberto Carlos ou as do  Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Foi neste regime imperialista musical que surgiu nos anos 60 a Rainha do Bolero Edna Fagundes.  
Se minha memória não falha, no final dos anos 60 ou início dos 70 ela fez um showmicio em Macapá, na Praça da Conceição. Desde ai decorei o bolero Verbo Sofrer (clique p/ ouvir), que eu adorava cantar, teatralizando a parte declamada. Mamãe abominava essa minha arte, afinal, antes de Bruna Surfistinha, ser "mariposa" não era coisa pra moça de família, sequer cantar!
 Um pouco de história
A cantora Edna Fagundes, mineira de Lavras alcançou seu primeiro sucesso radiofônico com o bolero "Perdão", na época sucesso de Doris Monteiro. Gravou seu 1º. compacto simples com dois bolerões, que fizeram enorme sucesso no programa do radialista mineiro Álvaro Alvim, na Rádio Guaraní, em 1968. Esse sucesso lhe valeu um convite para gravar seu primeiro LP na Cantagalo, de nome; "AMOR À TERRA" que estourou com o bolero Sinceramente de: José Pereira da Silva / Geraldo Duarte e Milton Iamada, grande empresário em Belém do Pará. Deve ser dai que vem essa relação do povo nortista com Edna Fagundes.
É no site de Aramis Millarch , um critico musical (?) que encontramos ao mesmo tempo o desdém e preconceito do autor, e o reconhecimento de fãs, sobretudo amapaenses e paraenses, que manifestam suas lembranças e encantamento por Edna Fagundes. O texto de Millarch, originalmente publicado em 12 de março de 1974 , começa assim:

“ O que dizer de uma cantora chamada Edna Fagundes que aparece com um lp chamado "A Rainha do Bolero"(Copacabana, CLP 11.731), tendo na capa uma colorida foto em que aparece de coroa na cabeça e a faixa identificatoria desta real classificação, não se sabe dada por quem? E`claro que é uma produção destinada ao publico rural, ou mínimo, suburbano, capaz de consumir os bolerões na linha Waldick Soriano.”

Na caixa de comentários do site, Flávio Andrade (flavio.andrade@.jorlan.com) , sobrinho de Edna, deu noticias sobre a artista, que continua viva e cantando, em parceria com uma filha, lá pras bandas de Minas Gerais. Eis alguns dos comentários deixados por saudosistas fãs nortistas:

Enviado por Afonso L. Nogueira - Cametá-PA, em ter, 19/01/2010 - 18:58.

Caro, gostaria primeiramente de falar do carinho e respeito que tenho por esta mulher que não é só a rainha do bolero mas tambem a maior Cantora de todos os tempos do Brasil. […] Frequento um bar em minha cidade que só toca as musicas de Edna […] Um abraço e um beijo no coração de Edna Fagundes pelos momentos felizes que me proporciona por toda minha vida

Enviado por Raimundo Sousa, Macapá-AP, em seg, 31/05/2010 - 20:51.

Caro, gostaria de saber como obter todas as músicas, ou discos da inesquecível rainha do bolero. Edna Fagundes. No momento quero falar do carinho e respeito que tenho por esta cantora pois fiquei feliz de saber que está bem, e que ainda faz shows.

Enviado por Rubervan Cambraia de Souza , em ter, 03/08/2010 - 10:28.
Como posso comprar cd's da cantora Edna Fagundes,sou fam de suas músicas,a primeira vez que escutei tinha a idade de 14 anos e gostei desde dai, sou do estado do Amapá. Rubervan.

Enviado por Ignácio Oliveira , Belém - PA , em dom, 14/11/2010 - 12:38.
Sim, como NELSON GONÇALVES, EDNA FAGUNDES, indubitavelmente, foi a melhor voz de todos os tempos. Alimentou meus sonhos adolescente que hoje, recordo com nostalgia. […]. Viva Edna, não nos deixe orfãos como o fez NELSON GONÇALVES e VINICIUS DE MORAES.

Fotos e informações biográficas extraidas do site:

terça-feira, 15 de março de 2011

Dona Severa e Seu Gomes

Outro dia escrevi que a madrasta que representei na peça infantil "Jardim Encantado das flores que falam", não tinha nem nome! Mas, revirando o báu das lembranças, encontrei esta fotografia e com ela veio  o nome da madrasta: Dona Severa.


Claro, desde que o mundo é mundo e que  gata borralheira existe, os nomes das  má-drastas não poderiam ser outros, senão aqueles que reforçassem a idéia de que madrasta tem que ser má. Até que as histórias infantis inventaram as "boadrastas" com nomes de Serena, Linda, Rosa, etc.

A peça foi a primeira montagem do Grupo de Teatro Verão ( de empregados do SERPRO em Belém) , no ano de 1985, em comemoração ao Dia das Crianças. O palco foi improvisado num tablado já existente em uma das alamedas do Museu Paraense Emilio Goeldi. Nele, além de mim, as enteadas que tinham nome de flores, mas na vida real se chamavam: Helenilda , Graça e ... esqueci o nome da outra menina. O pai das meninas era o Pedrinho ( ou seria o Zaqueu?).
      Na direção o colega Ubirajara Kimmengs.  Mas, contamos com o grande apoio e incentivo de um senhor chamado Gomes, que trabalhava com teatro no SESC-PA. Já estavamos quase nas vespéras  da apresentação, e fomos ao SESC só para tentar conseguir  alugar o teatro pra fazer a nossa festa lá.
     O Gomes se entusiasmou, ou se condoeu,  com nosso entusiasmo e inexperiência. Passou a acompanhar nossos ensaios, nos transmitindo noções de palco, de impostação de voz. No dia da apresentação ( para contrariedade do Sérgio Vieira, o gerente), amanhecemos o dia na empresa preparando os adereços de palco, e o Gomes estava lá firme com a gente.
     Foi ele quem me passou a dica do "caco" que eu tratei de introduzir no palco. Numa cena em que eu saia à procura das enteadas (que haviam saido com uma trouxa de roupa pra lavar) no caminho eu achava uma peça de roupa, ou seja uma pista de que por ali elas passaram. Pois bem, inventei de, ao invés de achar uma roupa qualquer eu achei e mostrei uma enorme calcinha, enquanto dizia: - hummmm elas passaram por aqui!
     Eu sabia que a cena provocaria risadas, meu medo era cair no riso também, mas fiz a cena seriamente. Quando sai do palco vibrei: - eu não ri, eu não ri!

     Depois disso, o grupo fez mais três peças ( O Consertador de Brinquedos, A Bruxinha que era Boa  e A Formiga Fofoqueira), porém nunca mais trabalhamos nem tivemos contato com o Gomes. Não sei nem se ainda é vivo, mas  esteja onde estiver: -  Obrigado moço! Deus lhe pague!




segunda-feira, 14 de março de 2011

Poesia em 3 tempos

Porque hoje é o Dia da Poesia, vamos de poesia em três tempos:

1- Tempo de inocência

SABATINA


(Para o Nilo em seu 4º aniversário)


 Mãe, o que é aleijado? /como é "mais ou menos"? a gente só morre velhinho?
O que significa tragédia? / como se faz uma baladeira? dez é um montão ou é pouquinho?
O que acontece se eu dormir em pé? / quando eu crescer, vou achar um tesouro?
cobra, é marido ou é mulher?


- Ah, filhinho...  não pensei que prá ser mãe/ precisava saber muito, muito mais que dar carinho.


2- Tempo de Guerra
 

GUERRA DE ESTUDANTES

Os desfiles escolares
tinham mais que o sabor
de uma festa cívica
uniformes novos, luvas brancas
faixas verdes-amarelas.

a batida dos tambores
cadenciava o coro dos meninos
das escolas vizinhas e rivais
que a seu tempo gritavam:
- pão-duro, pão-duro, pão-duro
- gato escaldado amanhã vai ter!


3- Tempo de Paixão

DESEJOS

Vejo em teu olhar
a ameaça de que me queres
possuir, diriam os poetas
comer, diriam as perversas

 Em meu olhar vês as promessas
de me deixar ser possuída
de te deixar me fazer comida
até que nossos desejos saciados
escoem pelo ralo do banheiro.

domingo, 13 de março de 2011

Campanha da Fraternidade

O  tema: Fraternidade e a Vida no Planeta”
O lema: A Criação Geme em Dores de parto" (Rm 8,22).

O clichê: pulmão verde!

sábado, 12 de março de 2011

Nascidos no meio do mundo


"Eu nasci no meio do mundo... " assim começa a minha apresentação nas midias sociais. De Macapá para meio mundo de lugares por onde andou meu coração,  estou domiciliada em Porto velho - RO.

No inicio dos anos 90, recém-chegada a Porto Velho, num salão de beleza, ao comentar que eu nascera em Macapá, uma senhora arregalou os olhos e exclamou em alta voz: - meu Deus! Eu nunca antes conheci alguém que tenha nascido em Macapá. Eu me senti uma ET.

Na Macapá de minha infância, eu sempre ouvia falar na AVRA, a Associação dos Vigienses Radicados no Amapá. Quando faziam festas em sua sede (na rua Odilardo Silva, próximo a Feliciano Coelho), o som da aparelhagem se propagava pelo ar e chegava até a minha casa a quatro quarteirões dali. Só quando mudei p/ Rondônia pensei ter entendido o completo significado de estar radicado em outras paragens que não a nossa terra natal.

Nesta Rondônia, terra de migrantes, suponho que somos poucos para formar uma Associação dos Amapaenses Radicados em Rondônia (AARR) mas muitos o suficiente para não causar tanto espanto. Os conterrâneos Tucujus que eu conheço ou sei que migraram para estas “...paragens do poente” não passam dos dedos das mãos:
(1)Francisca Dias e (2) Ana Karina Salman Dias ( mãe e filha) ; (3) Fernando e (4) Alberto Jorge , os irmãos Elarrat Canto; (5) um Guedes , primo da Kiara e do Nivito; que conheci no show do Zé Miguel; (6) um Picanço, irmão de minha colega Beth Picanço; (7) uma professora da UNIR que em entrevista pra uma TV disse ser amapaense; (8) a proprietária de um pequeno comércio, que por terceiros eu soube ser conterrânea; (9) a professora Margareth, que já nem sei se ainda mora aqui. Viu, não deu 10 !


No meu twitter @webeatriz, vivo propagando minha condição de amapaense , mas nunca um RT de um conterrâneo. Se não encontrei amapaenses, percebo que a república mineira está cada vez mais forte, pelo menos no meu local de trabalho. Isso me leva a pensar em reivindicar minha cidadania mineira, com base nos 2 anos que morei nas Minas Gerais , os dois cunhados que moram lá e meia dúzia de amigos que por lá deixei.


Em contribuição ao plano de viagem do @fredperillo , mineiro gente boa (Dizer que mineiro é gente boa é redundância ) que quer ir conhecer Macapá, levando suas oficinas de mídias sociais. Recomendo que ouça Patrícia Bastos cantando “Jeito Tucujus” e se familiarize com o vocabulário local. Ai vão algumas dicas*:


  • Loba = mentira . Se um macapaense lhe disser que na ponta do trapiche você pode ver a pororoca. Ao invés de dizer : mentira!! (como quem duvida) diga apenas: "looooooobaaa", ele vai se tocar na hora.
  • Nike = levar um fora. Se alguém te deu um fora ( ou passa fora ) vc levou um nike.. Expressão acompanhada do gesto da marca nike.
  • FOLEEEEGO!!! – usada para expressar admiração por alguma coisa ou fato. Equivale ao Nossinhora! de mineiro.
  • LOGO - usada , ao final de uma frase , como reforço a qualquer coisa. Ex: mais feio, logo!
  • " Não... é pão!" = duvido! Empregado para se colocar em dúvida algo que o interlocutor afirma com convicção. Ex: - Não te preocupa, eu vou usar teu carro, mas não vou sujar.  - não ...é pão!”
  • Gala seca = otário, imbecil.
  • Égua! em  alguma situação corresponde ao Uai! 
* Girias extraídas de uma comunidade no Orkut, mas os exemplos são meus.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Canta Mulher, Chora Mulher

Aconteceria hoje no SESC Rondônia  a  20ª. Edição do show Canta Mulher, realizado pelo Fórum Popular de Mulheres em parceria com o Sesc Rondônia. “O Sassarico Delas”, nome dado ao show, contaria  com a presença de seis cantoras (Elisa Cristina, Neia Moreno, Jessiane Luiza, Gioconda, Laís Fernandes e Raquel Lyrio) interpretando composições de mestres como Lupicínio Rodrigues e Paulinho da Viola, bem como canções de jovens compositores como Roberta Sá e ainda uma homenagem ao sambista porto-velhense Silvio Santos, o  Zekatraca.
Mara ao  lado do marido , na campanha para o governo do Estado
Mas, ao cair da noite chegou a noticia da trágica morte do ex-deputado Eduardo Valverde. Calaram-se as vozes cantantes, show cancelado.

          Muitas vozes chorarão por Valverde, mas sobretudo a mulher Mara Valverde, grande companheira do líder politico, engajada nas lutas em defesa das mulheres, e apoiadora do movimento cultural local, como o evento, ainda em comemoração ao Dia da Mulher.
A pauta de hoje seria a emoção que o show prometia. Na ausência dele, em homenagem à amiga Mara, que hoje vive uma grande dor, republico crônica de 1997  escrita para a página  Mundo Mulher do jornal Alto Madeira.
Menina e Mulher
Nas pontas dos pés para alcançar o espelho, Bia, seis anos, retocou a pintura dos lábios com um batom cor de rosa, concluindo assim, um ritual da vaidade feminina: arrumar-se para sair. Quando o irmão sugeriu que ela ficasse para lhe fazer companhia, retrucou: - imagine se eu vou perder a festa do meu dia! 
Essa menina, tão senhora de si e tão consciente de ser mulher,  é a mesma que , há um ano,  reivindicou presentes no Dia Internacional da Mulher, porque  era menina, mas também  mulher!
No teatro comportou-se como menina e  comeu pipoca doce colorida, lambuzando os dedos e a roupa. Com a coleguinha, com quem rapidamente fez  amizade , fugiu da cantoria do Arte Mulher e foi brincar lá fora. Voltava de quando em vez, na expectativa de ver o  balé anunciado e que não veio.
 Não soube ser mulher para apreciar as vozes, cantos e encantos de Margareth, Roseli, Helena, Alciréia, Nêga;  mas riu como todos , da cubana  rouca e desafinada , que  subiu ao  palco disposta a  soltar a franga, talvez porque estivesse muito  feliz por ser mulher, ou por acreditar que para  festejar seu dia, qualquer maneira de cantar vale à pena.
Quando falaram de mulheres que fazem arte, como Angela Cavalcante, Arlene, Lilia Lobo e Nilza Menezes, a pequena apontou o dedinho para o seu próprio peito, dizendo  que ela também era mulher que fazia arte, certamente lembrando suas travessuras, tantas vezes repreendidas pela mãe: - Já estás fazendo arte? , ou de seus desenhos e esculturas em massinha de modelar , que fazem  o  pai dizer   orgulhoso : - minha filha vai ser uma artista plástica!.
Como na poesia de Cecília Meireles, essa menina, tão pequenina quer ser bailarina. Também não sabe nem dó nem ré e ainda está dando os primeiros passos no aprendizado do bê-a-bá.  Essa menina, tão pequenina, pensa que é  mulher  e como tal, faz arte, se pinta , colore seu mundo criança de sonhos.  Mas quando lhe perguntam , imitando o programa de TV, se o seu relacionamento com o coleguinha é “namoro ou amizade” ela diz ser amizade, porque ainda é criança prá namorar.
Ah! menina, brinca tua inocência de criança, brinca tua vontade de ser mulher, porque,  quando chegar teu tempo de alegrias e dores de anores, saberás que te tornastes mais mulher do que menina. (P&P 10/97)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Aidimim, Copacabana!

(Com extratos do poema de Rubem Braga , in: "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 99.)


Conheci Copacabana ainda criança, no final dos anos 60.
Uma imagem da praia de Copacabana com sua famosa calçada serpenteada em primeiro plano, ilustrava o lado A do cartão postal que minha tia Milica (mais tia do @Bonfa2011 do que minha, pra falar a verdade) mandou para a prima Beatriz, que vem a ser a minha mãe.
No lado B, em letrinha miuda e comprida, a tia carregou nas tintas ao pintar seus encantos por Copacabana. Pronto estava instalado em mim o desejo de conhecer a Princesinha do Mar.


“ AI DE TI, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.”

Depois foi prima Cristina, filha da tia Milica, quem me alimentava o sonho, com cartas endereçadas da Av. Constante Ramos.

“Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras; e deste risadas ébrias e vãs no seio da noite.”

Muitos anos depois (anos 80) , tive oportunidade de passar uma curta temporada morando no Rio de Janeiro. Finalmente Copacabana! Não escolhi, naquele emaranhado de edificios, o endereço não era outro que não a própria Constante Ramos, coladinha ali com a Nossa Senhora de Copacabana, a poucos metros do mar.

“ … Grandes são teus edifícios de cimento, e eles se postam diante do mar qual alta muralha desafiando o mar; mas eles se abaterão...”

Eu adorava passear pelo bairro, olhar as lojas e o povo na praia. Foi numa destas andanças que perdi meu berloque em forma de cachimbo, que trazia pendurado ao pulso. Na vã esperança de achá-lo, frenéticamente, fiz e refiz o caminho, entre o apartamento, a praia e lanchonete onde dei por falta.
  
“ … E os polvos habitarão os teus porões e as negras jamantas as tuas lojas de decorações; e os meros se entocarão em tuas galerias, desde Menescal até Alaska”


Mas uma das coisas que mais me fascinava, não estava nas ruas, mas nas histórias que eu ia criando na minha imaginação ao observar pela janela do apartamento, a vida solitária de moradores (idosos) dos apartamentos vizinhos. As fotografias em porta-retratos sob os móveis das salas  me despertavam a curiosidade de saber, quem seriam, se vivos ainda estavam. E os vivos em suas cadeiras de balanço e cabeça branca, não seriam fantasmas?

“.. Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum..”.


Outra vez (anos90) um passeio, e uma única foto sob a calçada famosa, porém nunca, um reveillon sobre tuas areias.

[…] Por que rezais em vossos templos, fariseus de Copacabana, e levais flores para Iemanjá no meio da noite? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?”

Século XXI, voltei tantas vezes ao Rio de Janeiro. Hóspede da Glória, do Flamengo, da Tijuca e até da Ilha do Governador. Mas, aidemim! nunca mais Copacabana, nunca mais meu berloque de pau-de-angola!

[…] E no Petit Club os siris comerão cabeças de homens fritas na casca; e Sacha, o homem-rã, tocará piano submarino para fantasmas de mulheres silenciosas e verdes, cujos nomes passaram muitos anos nas colunas dos cronistas, no tempo em que havia colunas e havia cronistas.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Três em um

1- Campanha da Fraternidade - Realizada hoje (09), na Arquidiocese de Porto Velho, a solenidade de abertura e lançamento da Campanha da Fraternidade (CF 2011), pelo arcebispo Dom Moacyr Grechi. A CF 2011 traz como tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” e como lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Com este tema, a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe que todas as pessoas de boa vontade olhem para a natureza e percebam como as mãos humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento global e as mudanças climáticas, com sérias ameaças para a vida humana sobretudo a dos mais pobres e vulneráveis.


2- Paulo Queiroz – A nota acima foi escrita a partir de noticia publicada no site jornalístico Rondoniasim . Texto este que, provavelmente, foi um dos últimos redigidos pelo Jornalista Paulo Queiroz , editor do site, que foi  encontrado morto neste 09 de março, Porto Velho. Em seu velório , muitas estórias serão contadas; nos réquiens, muito será escrito sobre este paraibano, que há mais de 30 anos militava no jornalismo local e que deixa seu nome gravado na história do jornalismo em Rondônia.


Coloco meu tijolinho para a construção dessa história:
Nos anos 90, Paulo foi por muito tempo meu vizinho, na Rua Pe. Ângelo, bairro das Pedrinhas. Eu era tentada a puxar uma prosa, mas a falta de sociabilidade entre vizinhos , tão presente neste mundo "moderno" nunca nos permitiu uma conversa de porta, quando diariamente ele passava em frente à minha casa, rumo ao Estadão do Norte.

Indiretamente, fui alvo de critica em sua famosa coluna Politica em 3 tempos. Ele considerou apelativo o uso de uma bandeira de largada de Fórmula1, que eu, tentando exercer a verve publicitária, associei a um candidato a vereador, cujo nome era Airton (não por acaso meu marido).

Depois que se mudou, só voltei a vê-lo em 2004, quando fomos agraciados com o titulo de Amigos da Pascom (Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Porto Velho). No evento, não nos falamos muita coisa além de achar que não eramos merecedores da homenagem. Mesmo assim, posamos lado-a-lado para fotografias, com nossas placas em acrílico.

Em novembro do ano passado, fomos palestrantes do 4º SEACOM – Seminário da PASCOM. Poucos dias antes do evento, participamos de uma entrevista na Rádio Caiari, acho que foi ali que Paulo pela primeira vez me ouviu falar sobre o meu trabalho como comunicadora.

Quando nos reencontramos no dia da palestra, surpreendentemente, ele que sempre me parecera muito sisudo, me cumprimentou sorridente e com os tradicionais 3 beijinhos. Ao final, comentei com os colegas que estavam em uma roda de conversa de coquetel de encerramento do evento, que tínhamos sido vizinhos. Ele mostrou-se surpreso, disse não lembrar, e justificou-se: - naquela época eu era outra pessoa!

3- Cooperando com a vida do Planeta – na semana passada quando veio em casa, minha afilhada Victória, de apenas 9 anos, me falou que estava fazendo plantios em sua casa e perguntou se eu não tinha sementes “... daquela árvore que dá bolinhas vermelhas”. Hoje fui visita-la e levei dois potes de sorvete, que não continham a guloseima, mas sim mudas de acerola e pitanga.

A pequena ficou muito satisfeita com o presente. Levou-me até o quintal, onde me mostrou seu cultivo de plantas ornamentais e verduras, e me presentou com um vasinho com três mudas de uma ornamental. A desenvoltura com que ela me contava os tratos culturais dedicado as plantinhas, me fez pensar na palavra esperança e a cantarolar a música do @NivitoGuedes e Fernando Canto, lindamente cantada pela Juliele:


“.. oh baby, eu quero que você coopere com a vida do Planeta, nunca mais se esconda pela cauda de um cometa..."