quinta-feira, 28 de abril de 2011

Agenda Macapá

28 e 29/04 - quinta-feira e sexta-feira. III Feira Estadual da Biodiversidade e Economia Solidária e Seminário de Comercialização Solidaria do Amapá, de 28 a 30abril. Das 8 as 22h, na quadra da Paróquia Jesus de Nazaré. Rua Leopoldo Machado. Participe!

Dia 29/04 - Poesia na Boca da Noite , das 17 as 19h , no Lugar Bonito.  Saiba mais...


29/04 –O  Centro Cultural Franco Amapaense  inicia o projeto "Chanté avec moi" este mês com o cantor, compositor e divulgador da lingua e cultura francesaBi Trindade. Convidado especial, José Maria (Banda Negro de Nos), às 19h, Auditorio do CCFA. 

Publico alvo: alunos das escolas publicas e comunidade em geral. Participação dos alunos da Escola Lucimar Amoras Dell'Castillo e do Centro de Linguas Danielle Mitterrand. Bi Trindade irá cantar musicas regionais traduzidas para a língua francesa numa proposta de divulgação da música amapaense. Entre elas, Tajá, Tarumã. Além de interpretar músicas francesas bem conhecidas como La vie en rose ,  ne me quitte pas et Octobre.
O show terá também uma conversa entre cantor e platéia sobre música e o outros assuntos. É uma oportunidade para praticar a lingua francesa cantando e dialogando.
Nao perca a oportunidade! Entrada Gratuita!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Festa da Páscoa

     Tenho certa dificuldade em lidar com as festas de Natal e Páscoa, que o comércio de presentes e  ovos de chocolate se encarregaram de desvirtuar o sentido cristão. mas fica quase impossivel não entrar no clima , embora eu seja uma "diferenciada" como diz meu filho, pois não adoro chocolates! Mas como, principalmente se for chocolate branco.
    Mas aqui  a coisa é diferente, tem a festa dos doces, mas tem também reflexão. Minhas irmãs se empenharam em organizar a festa: teve o bingo com palavras  dos simbolos pascais, gincana com a garotada do Circulo Biblico, e claro muitos doces e chocolates e fotos com as orelhas de coelho.
     Fui à missa na Igreja de São Pedro,  as músicas estavam muito monotonas, deu até sono! e  deu saudades do Pe. Aldenor e aquela animação aeróbica que eu condenava, por me obrigar a por a mão na cabeça e remexer a b.dinha ! rs

sábado, 23 de abril de 2011

Sábado de aleluia

     A incompatibilidade de meu carregador  do notebook com a voltagem  de casa me deixou sem conexão com  a internet.
     Sexta Santa com novena da Misericórdia na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Tentativa de ver o espetáculo "Uma cruz para Jesus" na Fortaleza de São José de Macapá,  mas nem haviam se passado 10 minutos do inicio e a chuva colocou todo mundo pra correr. Não que eu seja de tapioca, mas estava na companhia dos amigos Dulcivânia e Ricardo e do pequenino Joaquim, que obviamente não podia pegar chuvisco.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quem nunca viu o Amazonas

Minha amiga, Malena, descendente direta da baronesa de von  Paumgarteen  está em Macapá, ou melhor em Santana, onde fui , na companhia da mana Zany  e da sobrinha Bruna, buscá-la para um passeio para além da Vila Amazonas.
Depois de visitarmos a aprazivel casa da professora Maria Luiza e seu Ednardo, cheia de aves e árvores, seguimos para a Fazendinha, que estava de maré cheissíma. O sol já se pondo sem muito brilho, apenas nos deliciamos com a cana gelada cortada em pedaços, um bom teste de cárie. hehehe
Depois um passeio pela orla, desde o Araxá até o Igarapé das Mulheres ( Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que me desculpe!) Um bate-papo amigo  á beira-rio era tudo de bom, até que chegou  um indigitado com um desses carros equipados com um potente som e mandou o seu brega preferido, torturando meus ouvidos!

... haja coração e ouvidos pra entender o jeito  de ser do povo daqui!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quer saber, onde eu estou...

Tem uma música do cantor/ compositor Nivito Guedes que diz assim :" ....quer saber , de onde eu sou, sou do Norte do Brasil eu sou de Macapá..." e eu canto trocando o verbo Ser por Estar.


Estar em Macapá , são outras experiências, outras vivências:
     É ir a um cabeleireiro que se chama amor, com H . Quando me disseram, o Hamor vai lhe eatender, perguntei : - ele é o amor de quem? Lembrando que minha comadre só chamava de “paixão” meu compadre Nestor, até o dia em que ela ouviu a costureira também chamá-lo assim, julgando ser o sobrenome dele. E o Hamor se queixa de ter sido vitima de bulling na escola por causa do nome, e eu lhe digo pior mesmo é ter sido criança e se chamar Crisogno, foi assim que a mulher do meu primo homenageou o pai, e certamente traumatizou o filho, que por toda vida foi Neto até que se achou como Cris.
     Estar em Macapá é ir ao supermercado e ouvir no som ambiente música de artista da terra; era Osmar Junior quem cantava as lavadeiras, as mulheres do igarapés;  “... e lavavam as minhas esperanças perdidas..."  de ver uma faixa para pedestres em frente ao Supermercado Santa Lucia, ou pelo menos ver os carros passarem em velocidade controlada a 40 km. Numa cidade com forte histórico de suicídios, fazer aquela travessia é ser kamikaze.
     Estar em Macapá é estar a três quarteirões do Rio Amazonas e nem ir lá, na beira-rio, tomar uma água de coco. É ver que a obra autorizada pela Secretaria de Estado avança por onde seria a calçada, e o vizinho pede SOS Asfalto em placa fincada na beira da rua.
     É  se deliciar com as travessuras de Ana Luiza, que se aventura a atravessar sozinha a rua. É ver minha irmã Rilda, herdando a carolice de mamãe, lidando com um grupo de crianças em Circulo Bíblico : é preciso paciência de Jó, com uma garotada, mais animada com o bolo da Zany , servido depois da reunião de todas as quarta-feiras.
     Estar em Macapá, é ver D. Beatriz em sua fuxicada , entre a cozinha e o quintal. É esperar por amig@s que prometem aparecer para uma visita e não vem, nem aqui no Blog!
     Mas isso foi hoje, amanhã é outro dia!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Viajando

O dia foi longo e ainda não acabou! No aeroporto de Belém,esperando embarque para Macapá.
 eu devia viajar mais vezes, poi sempre as vespéras de viajar consigo terminar coisas que vinham sendo adiadas. Arrumo coisas há muito fora de ordem!  Funciono bem sob pressão!
A lista de "a fazer" estava grande, cortei as não prioritárias: cabeleireiro ficou de fora!
Vesperas de feriadão, võo lotado!  Abriram a creche! muit@s fofinh@s e pestinhas de todas as idades e berros. Porque gritam tanto essas crianças? E como perguntam... a literalmente fofa ao meu lado , viaja com o pai e uma tia, pergunta sobre tudo, sobretudo a infalivel pergunta de criança em avião: - o avião vai cair?
No pouso em Manauas levei uma bolsada na cabeça. Não dá pra entender esse povo que salta da poltrona, mal o avião toca o solo! No corredor ainda escuro a afobada foi tirar a bolsa do compartimento de bagagem e acertou minha cabeça  ! Desculpe-me ... desulpa nada!

Na eswcala fui sentar na saida da emergencia, uma saida para aliviar as pernas. Ai me chega umhomem que deve ser um pouquinho maior que o ACM Neto e reivindica seu lugar! O mundo não é justo mesmo1

amanhã!

De trem para a Serra do Navio

     A primeira viagem de trem a gente nunca esquece? Provavelmente não. A minha foi de Macapá para a Serra do Navio. O ano, eu não sei precisar, mas viajamos num vagão considerado de “1ª.classe”, destinado as autoridades, rol no qual meu tio Everaldo Vasconcelos, o comissário de policia na Serra se incluía. Na semana anterior, o vagão havia sido colocado em funcionamento especialmente para a visita de um Ministro, não recordo de qual pasta. Lembro que o estofado era azul claro, e que os comentários que se fazia é que era um luxo!

     Da Serra mesmo, eu só lembro de minhas andanças com a prima Araguacy. Eles moravam na Vila Intermediária, que como próprio nome diz, ficava no meio, nem era a moradia dos “piões” nem as do staff da companhia de mineração (ICOMI). O melhor, eram os dias em que eu a acompanhava para as aulas de canto-coral, foi ali, de tanto ouvir a repetição,que aprendi de cor a música de Dorival Caymmi, Marina Morena .
     Saudosa de minha experiência como coralista do SESI (sob a regência da Profa. Ruth) eu adorava ficar ouvindo as musicas, mas minha prima detestava, só ia porque era obrigada. Desde aquela época ela já não era muito chegada aos estudos, cheia de presepadas ela dizia zombeteira: - quando me falam em estudar, já começa a me dar coceiras, meu corpo começa a empolar, me dá alergias!
    
     Da viagem de trem, além da história do vagão do Ministro, me ficou a imagem , das pessoas na soleira das ´portas acenando à passagem do trem. Que me inspirou um poeminha:

     Só voltei mais uma vez à Serra do Navio, a convite de minha prima, para passar um Carnaval. Mas essa é outra história...
Música também era o passatempo de meus primos. Eram quatro rapazes, todos cabeludos como era a moda da época. Passávamos horas canforando a s canções da jovem guarda , uma delas que me ficou , foi Tony Tornado cantando na BR-3.

sábado, 16 de abril de 2011

Personalíssimos

A  SEMANA:

Imagens da semana
Dom - sem missa, mas com massa: almoçando strogonof na conterranea profa. Chica Dias. E fazendo escambo de plantinhas com o Enrique, o agronomo construtor.
Seg - ou eu acabo com esse projeto, ou esse projeto acaba comigo! Um sistema de submissão de projeto super lento, nervante. Mas acabei!
Ter - Ok, alguém tem que pagar a conta do fato deu andar me acabando de sono. Claro que só pode ser a virada de estudo e trabalho, mas, só porque eu ganhei uma tal pulseira do equilibrio , que no caso é um relógio, sobrou pra ela!
Qua - decidida a zerar as pendências, atividades de meu curso de especialização. Madruguei , mas dei um bom avanço. Como diz meu Nilo: basta querer!
Qui - em meio a reunião , a noticia da  microcirurgia de mamãe, novas preocupações.
Sex - Finalmente as pendências com a seguradora resolvidas, carro encaminhado para Oficina. quantos dias mais sem carro? Noite agradavel, festa de niver de D. Terezinha, música  de alto nivel, mas de muito alto volume, totalmente incompativel com meu ouvido que vem doendo desde o inicio da semana. 
Sab - Desde cedo em atividade de motorista, leva aqui, leva acolá. Paguei contas e paguei mico batendo-boca com um indigitado, que resolveu reclamar que eu estava demorando no caixa. Fiquei P da vida, pedi respeito, eu esperara na fila, agora era a minha hora de ser atendida  Se ele tinha pressa que chegasse antes, e se tinha algo a reclamar, que fosse reclamar ao presidente da Caixa Econômica, ou ao dono da lotérica, pois se estava demorando, a culpa não era minha!   Enfim, mesmo cheia de razão, fiquei mal por não ter relevado!
 Mais tarde, nem a compra de um ovo de chocolate, para um pobre garoto que me abordou nas Americanas, aliviou meu mal-estar por ter entrado no debate-boca com o sujeito, principalmente porque ele foi muito grosseiro, e acho que ele mereceu ouvir desaforo de volta.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Era uma vez uma capela - parte V (final)

BOX


Planta da capela, cedida pelo Cel. Viana

Eles colocaram um tijolinho na construção/conservação da capela:

Gal.Noronha em foto dos anos 70

Inaldo Seabra de Noronha, foi o segundo comandante do 5º. BEC, no período de 06 de fev 1971 a 25 de janeiro de 1974. Atualmente na reserva o General de Brigada reside em Brasília. Sua esposa, Glória Jocelyn Freitas de Noronha, apoiava entusiasticamente as iniciativas do marido, participou da escolha do local da capelinha e da criação do Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Também deu sua contribuição à educação da capital, como professora de inglês no Instituto Carmela Dutra.

Jorge Daltro Campos, formado em 1967, pelo Instituto Militar de Engenharia, IME, foi o engenheiro responsável pelo planejamento e construção da capela. Aos 59 anos, casado com a Sra. Erotildes Viana de Campos, o Cel. Daltro, reside em Resende -RJ onde atua como professor na Academia Militar.

Coronel Paulo Roberto Viana Rabelo,engenheiro, atual comandante do 5º. BEC , que teve a iniciativa de fazer a restauração da capela.

MEMÓRIA

Eles colocaram um “tijolinho” na construção dessa reportagem:

Áureo Soares Leite - O 3o. Sgt Áureo, paulista é conhecido como Cabo Áureo. Em 1966 ingressou nas fileiras dos pioneiros. É uma memória viva do 5o. BEC, além de ter sob sua guarda centenas de fotografias de muitas atividades e cerimônias militares. Reside no bairro Arigolândia, em Porto Velho. Aos 71 anos, ainda na ativa, presta serviço no Hospital da Guarnição. Doou a foto dos anos 70 que ilustra esta matéria.

José Pinheiro Rabello – O Sgt. Pinheiro é carioca, veio para Rondônia em 1967 e entrou para a reserva em 1988. Por ocasião do 11º aniversario de criação do 5º. BEC escreveu um histórico que intitulou de “A pequena história de um gigante”. Forneceu o endereço e telefone para contato com o Gal. de Brigada Tibério Kimmel.

Tibério Kimmel de Macedo – fez parte das primeiras comitivas que esteve em Rondônia. General de Brigada, aos 80 anos, reside em Porto Alegre-RS. Em 2003 publicou o livro Eles não viveram vão: a saga dos pioneiros do Batalhão do Ermos e dos "Sem Fim", que em mais de 800 páginas conta a história das atividades do Exército Brasileiro no período de 1965-1971. Confirmou dados e forneceu-nos o telefone de contato com o Cel. Daltro, este viabilizou o nosso contato com o Gal. Noronha.


Agradecimentos:
Hugo Granjeiro, advogado, Ivo Feitosa – turismólogo, Ciro Pinheiro, jornalista; Manelão, da Banda do Vai quem Quer; Silvio Santos (Zé Katraca), pela indicação de fontes;
Marilia Fontenelle e Gerson Amaral - arquitetos cearenses, que colaboraram na descrição da arquitetura da capela.
Roberto Noronha – filho do Gal. Noronha e interlocutor nas entrevistas via e-mail;
Senhoras Erothildes Campos e Glorinha Noronha, interlocutoras dos contatos com seus esposos, Cel. Daltro e Gal. Noronha, respectivamente.
Sgto Nilton Lima, RP Marilene e os demais funcionários do Setor de Relações Públicas do 5º. BEC.
Natália Rabelo – interlocutora junto ao seu pai Cel. Viana.
Sra. Ieda de Marco e  Sra. Cilene Soares, que gentilmente me abriram as portas de suas casas e seus albúns de fotografias.

Era uma vez uma capela - IV

EVENTOS NA CAPELINHA
    
     Casamentos, batizados e primeira comunhão são eventos realizados na capelinha que marcaram a vida de algumas pessoas. A cerimônia de casamento militar envolve um ritual em que os militares vestem traje de gala e a entrada na igreja se dá sob um cruzamento de espadas, o que torna a cerimônia mais emocionante.
     Militares e civis celebraram bodas na capela, a exemplo do atual Senador Moreira Mendes , que em primeiras núpcias uniu-se a Maria Helena Erse, filha de tradicional família da sociedade local. E uma das filhas do governador Humberto da Silva Guedes (1975-1979).
     Em 1976, o tenente José Eledi Menegás e a professora Enaura Pinheiro, teriam sido o primeiro casal a realizar matrimônio na capela. A devoção a São Francisco de Assis e o bucolismo da paisagem, foram os motivos da escolha da capela , pelas noivas.
     Ieda Márcia e Júlio de Marco casaram-se em 28 de novembro de 1981. A escolha do local foi ideia de Ieda , favorecida pelo fato de ter uma irmã casada com um militar. Segundo ela, naquela época a área do 5º. Bec era tida como um cartão postal da cidade e a capelinha evocava esse clima de beleza, tanto que ela marcou o casamento para as 17h30 imaginando sua saída da igreja com o sol declinando no horizontes

Imagem cedida pela Sra. Cilene , de seu casamento com Sérvio, em 1979.
     A história de Augusta Cilene Bezerra Soares, tem uma semelhança com a de Ieda. Ela também morava na vila Militar na casa de uma irmã quando conheceu , numa festa do Clube dos oficiais do BEC ( Baile dos Médicos) , o engenheiro Sérvio Ferreira Soares, com quem casou no dia 11 de novembro de 1979. O casal tem três filhos.
     Também foi a beleza da capela e seu entorno que motivou Cilene, “... eu achava aquilo ali a coisa mais linda do mundo, coisa mesmo feita por Deus”. Ela considera a possibilidade de comemorar suas Bodas de Pérola (30 anos) na mesma capelinha. Sua filha Carina , de 25 anos, também admite que gostaria de casar com toda a tradição e se possível na mesma capela onde os pais casaram.

A Igreja hoje (2009)


     Ligada à Diocese Militar em Brasília, a capela está sob a responsabilidade do Capelão Frei Eduardo, que celebra missa todos os sábados as 19h30 . Uma vez por mês (na 3ª. sexta-feira) é celebrada uma missa pela manhã, quando os militares comparecem fardados. Embora seja uma pequena comunidade, os partcipantes delam fazem uma celebração animada , cantos acompanhados por violão, e uma entusiasmada acolhida , aos visitantes como esta repórter , que lá compareceu numa celebração de um sábado a noite.
     Nesta Porto Velho que se transforma, e os espigões já aparecem ao fundo da paisagem, essa acolhida ainda pode favorecer a realização dos sonhos de alguma noiva interessada em fazer um casamento com poucos convidados e em estilo campestre.
     “ ...é capela militar mas conforme a disponibilidade e bons argumentos a igreja pode celebrar casamento de civis” disse o capelão, abrindo assim a possibilidade para que sonhos como o de Carina, venham a ser realizado, sob as bênçãos de São Francisco de Assis.

Era uma vez uma capela - III

Arquitetura e Interiores

Nesta foto observa-se o caminho de pedra mencionado pelo Cel. Daltro

Por ser uma edificação do início da década de 70, caracteriza-se como uma capela contemporânea, uma vez que já não carrega muito dos componentes tradicionais em capelinhas. Sua composição arquitetônica é formada por uma nave única, com capela mor integrada à nave, destacada apenas por um desnível do piso, onde encontra-se a mesa do altar. A moldura das três portas, uma central e duas laterais, são recobertas por azulejos portugueses contemporâneos.

A torre sineira, com 5,5 m de altura, está anexada à fachada lateral esquerda, recuada da fachada principal, e arrematada por um galo catavento em ferro, que serve ao mesmo tempo de decoração e para-raio.O uso de galo como arremate de torres de igreja vem desde a Idade Média, simboliza ao mesmo tempo ao clero a vigilância e lembra ainda o arrependimento de S.Pedro. Além disso, o galo era considerado profeta do tempo e o seu canto afugentaria os maus espíritos e todas as calamidades.

Outras características da contemporaneidade da capela, apontadas pelo arquiteto Gerson Lima, é o telhado com beiral, o embasamento em pedra, assim como o arremate inclinado das paredes da fachada lateral. Tais características remetem à uma arquitetura própria dos bangalôs que, por influência norte-americana, se utilizavam muito no Brasil após a segunda guerra mundial.


O interior da capela é provido também de um altar onde está uma imagem de São Francisco de Assis entalhada em madeira, com 1,20m de altura. Os bancos em madeira de lei, com entalhes na parte superior, foram fabricados pelos militares, na própria marcenaria do 5º. BEC. Possui forro em gamela em madeira envernizada. O piso era em tábua corrida , alternando madeira clara e escura, provavelmente cedro e acapu, pelo que se depreende da coloração observada em fotografias antigas.

Abandono e Transformações

Ao longo de 37 anos a capela já viveu dias de abandono e dias de cuidados com a sua manutenção. Examinando-se fotografias de diferentes épocas, constata-se que foram feitas pequenas modificações que tiraram um pouco do seu charme e descaracterizaram sua forma original. O piso de madeira foi substituído por piso cerâmico, os azulejos do tipo portugueses contemporâneo, assentados no rodapé do altar, assim como o patíbulo em madeira onde se assenta a mesa/altar , também foram substituídos. As luminárias do interior, em ferro e vidro, foram substituídas por outras de material plástico.

São duas as mais lamentáveis perdas: o caminho de pedras que cruzava o caminho principal formando o símbolo da cruz (como mencionado no pronunciamento do Cel. Daltro) já não mais existe , as pedras que formavam os braços da cruz, há muito tempo foram retirados, segundo o depoimento de um dos pioneiros, sem saber precisar exatamente quando.

A pedra fundamental é uma tradição da construção de igrejas. Todas elas possuem uma, e só se celebra missa quando ela está presente. Inexplicavelmente, sumiu a pedra fundamental da capelinha, que fora assentada, naquele 09 de março de 1972 no exterior, ao lado direito do braço da cruz em pedras.

Detalhes depois da reforma feita em 2009 pelo Cel Viana.

No início de março de 2009, observando-se a capela de longe, poderia observar o seu mal aspecto, com os rebocos das paredes laterais descascados , pintura apagada e o mato crescendo alto em seu entorno. Ainda naquele mês, foi iniciada uma pequena reforma na qual foi feita a restauração do forro e telhado, a construção de um lavatório na sacristia, a instalação de quatro ventiladores, somando-se aos três já existentes; e a pintura interna e externa da edificação que pela primeira vez ganhou cor azul, inovação que não foi bem aceita por algumas das pessoas a quem mostramos as fotografias recentes da capela, e que disseram preferi-la na tradicional cor branca.

(No alto da colina uma bucólica capelinha - Parte 3-5. Continua no próximo post)

Era uma vez uma capela - parte II

HOMENAGENS

     A construção da capela foi uma iniciativa do segundo comandante do 5º.BEC. Católico fervoroso, o então Ten. Cel. Inaldo Seabra de Noronha incumbiu o igualmente católico Cel. de Enga. Jorge Daltro Campos de erguer o templo que foi construído em seis meses, e recebeu o nome de “Capela de São Francisco de Assis”, uma homenagem ao santo que, por sua formação militar e atividade de reconstrução de igrejas em ruínas, é considerado o padroeiro da Arma de Engenharia do Exército Brasileiro.
Tela pintada pelo 2º. Tem. Eng. Itamar Caubi Souto, em 1972

A inauguração, no dia 9 de março de 1972, foi uma homenagem ao Bispo de Porto Velho, Dom João Batista Costa, data em que, comemorava seu Jubileu de Prata (25 anos) como Pastor da Igreja. A cerimônia reuniu dezenas de pessoas, em missa campal, uma vez que a capelinha, com aproximadamente 70 m² , comporta apenas 40 pessoas sentadas. A celebração feita pelo Bispo Dom João, contou com a presença do governador do território, João Carlos Marques de Henrique Neto.

A pedra fundamental, foi assim descrita pelo Cel. Daltro: “... dístico sobre uma cártula, em bronze cravada em granito róseo constituindo a Pedra Fundamental da Capela de São Francisco de Assis, no 5° BEC”.

No pronunciamento feito na inauguração o engenheiro explicou a inspiração criadora do templo:


Imagem cedida pelo Cabo Áureo

“... a pátria de um católico é a noite estrelada. Ainda é tempo de escutar no bronze que retina, a fé consciente, sem dramas, a exemplo dos teatros onde o artista procura monopolizar a platéia. E agora, o que fazer? Contemplamos a beleza da vida, tomamos a rua 14 e seguimos o caminho das pedras, que num desenho de contorno estilizado, se abre em forma de cruz com seus braços abertos como que a agradecer aos céus de ter como píncaro de nossas atividades, a fé.”




( No alto da colina  uma bucólica capelinha ,  2-5 . Continua no próximo post)  

Era uma vez uma capela

Capela de S.Francisco de Assis, inaufurada em 1972, PVelho,RO
A capelinha fincada no alto da colina no 5o. BEC está ameaçada. Fonte ligada ao BEC me informou que há um projeto de construção de novas instalações do quartel, e para isso seria necessário  derrubar a igreja.    Funcionários do BEC e cristãos que frequentam a igreja, estão se mobilizando para tentar evitar a perda desse patrimônio.
A reportagem a seguir eu fiz em 2009,  para ser publicada na revista da di-Faculdade, que infelizmente não passou do primeiro número. Eu estava guardando para publicar  em ocasião especial, mas resolvi tirar da gaveta, publicar  para que as pessoas conheçam a história da igrejinha e, quem sabe assim ela seja poupada da destruição que se avizinha.


“E o que é a fé, a esperança e a caridade?
Pratique-a de maneira adulta e terá a sua definição”.
(Cel. Daltro)

Estas são as palavras que encerram a mensagem que foi colocada na pedra fundamental da Capela de São Francisco de Assis, inaugurada em 1972.

Em uma Porto Velho que cresce verticalmente e vertiginosamente, a capelinha ainda se destaca solitária no topo da colina onde se localiza a sede do 5º Batalhão de Engenharia e Construção, no final da avenida Rogério Weber, em Porto Velho.

Criado em 1965 quando Rondônia ainda era Território Federal, o 5º. BEC foi a primeira Unidade de Engenharia de Construção que o Exército Brasileiro organizou na Amazônia.

Também denominado “O PIONEIRO”, o 5º BEC já deixou registrado na história do desenvolvimento da Amazônia, sua grande contribuição por meio de obras físicas e sociais de grande importância. Para Rondônia, em particular, temos a abertura da BR-364 que colocou o Estado em ligação terrestre com o sudeste do País e mais recentemente a recuperação da BR-319 que liga Porto Velho à Manaus.

Mas é a história desta bucólica capelinha que fomos resgatar, recorrendo à memória de alguns pioneiros de Rondônia (vide Box), homens e mulheres que por aqui passaram e deixaram seus nomes gravados na história desse Estado de tal forma que, parafraseando o lema do Exército, “nós não passamos em vão” , diríamos que “eles não passaram em vão”.

 (1-5) Continua no próximo post.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Munhoz na Espanha

Madri, 15 de junho de 2003.

Prezada Vânia


Fonte Imagem: ilo.wikipedia.org

Dia 13, dia de Santo Antônio, pensei em Lisboa, com a procissão do Santo pelas vielas de Alfama, com o “Te Deum”, no final. Aqui, entrei na igreja de San Martin de Tours. O padre celebrava a missa, com poucos fiéis. O cheiro de incenso me fez um grande bem e senti uma tristeza: de não ser santo. Quando na vida tudo é passageiro, só a santidade tem sentido.

     Depois do Prado e da Rainha Sofia, não se pode deixar de ver o rico acervo do Thyssen –Bornemisza, onde encontrei “Vista das ruínas de Olinda (Recife), Brasil” (1665), de Franz Post. Outra obra belíssima, dentre centenas, é a “Santa Catarina de Alexandria”, de Caravaggio. Fiquei um tempão diante de “Vênus e Cupido”, de Rubens, quadro magnífico. Outro maravilhoso é “Arlequim com espelho” (1923), de Picasso. Na “Virgem da aldeia”, Chagall mostra um anjo beijando Nossa Senhora com o Menino Jesus.

Real Acad. de Belas Artes de San Fernando
A última visita foi à Real Academia de Belas  Artes de San Fernando, onde revi centenas de quadros de Goya, Zurbarán, El Greco, Murillo, Rubens, Ribera (“Santo Antônio de Pádua”) um “São Jerônimo” de Correggio e, perdido, isolado, “A primavera”, de Giuseppe Arcimboldo. Vale a pena vir a Madri, só para tomar um banho de Beleza nos seus museus.

     Um espetáculo com o qual vibrei foi “Carmen” e o Ballet Flamenco Maria Carrasco, que vi no teatro Nuevo Apolo. Maria Carrasco é, segundo a revista Vogue, “nuevo valor Del flamenco”. E o jornal El Balón de Madri qualificou-a de “uma figura bella y poderosa”.

     Gostaria de ver tudo o que há de importante por aqui. Mas a grande frustração, o que nunca vou esquecer, é ter perdido a oportunidade de ver Marcel Marcel, o genial mímico francês, de quem há quarenta anos já falava em minhas aulas de literatura, em Macapá. E o culpado foi o Maiolino, a quem chamei no meu diário de “monstro de egoísmo e insensibilidade”. No dia que cheguei, comprei a revista Clío, de junho. Comprei-a por causa da reportagem sobre “Los tesouros de Bagdad: El último gran expolio”.

Vou deixar Madri, com saudade. Não fui a Paris, mas Madri tem também um grande fascínio. É uma cidade onde a vida parece ser mais bela.

E quais são as novidades? Recebeu alguma resposta do Serge? Que tem feito de bom? Abraços do amigo

Antônio Munhoz Lopes

Notas:
O Serge a que ele se refere , é o marido de Lindanor Celina.
Rachel (Pequena) , espero que goste de ler tua Pátria sob um olhar brasileiro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hirondelles do Cearense

 Nos anos 70, uma viagem ao município do Amapá, a 302 km de Macapá, era uma longa viagem por uma estrada sem asfalto, muitas pontes mal conservadas e uma travessia de balsa sobre o Rio Araguari, em Ferreira Gomes. Sem ônibus, o transporte de passageiros e cargas era feito em caminhões, os chamados paus-de-arara. Na atualidade o deslocamento de Macapá até o Amapá faz-se em aproximadamente cinco horas de carro, utilizando-se as BRs-156 e 210.

Fonte: blognews.blogspot.com

     Em 14 de março de 1970, um avião hirondelles, da PTA-Paraense Transporte Aéreo (Pobre Também Avua, no dizer popular) caiu na baia de Guajará, em Belém. Acidente no qual morreu o músico-comediante nordestino Coronel Ludugero . 
     Foi nesse mesmo ano, que na companhia de minha tia e madrinha, professora Cezaltina Lima, fiz uma viagem no “Hirondelles do cearense”. Esse foi o apelido dado ao caminhão dirigido pelo Sr. Hélio Abreu, nosso vizinho no bairro do Trem, um cearense de andar empertigado, pele muito branca, olhos claros e pescoço vermelho, o que lhe valeu o apelido de “Galo Teso”.
     Quando minha madrinha acertou a viagem, seu Hélio fez questão de reservar a boléia para nós duas. Viajar na boléia do veiculo era o mesmo que ir de primeira classe. Mas na hora do embarque, quando viu que junto aos seus pés estaria a bateria do carro, com fios expostos, titia desistiu da 1ª. Classe. Apesar da insistência do motorista, ela preferiu viajar na carroceria.

     Não tínhamos escolhas, tipo as oferecidas pelos guias de bugres de praia do nordeste: - com ou sem emoção? Ali era sempre com muita emoção e tensão, principalmente quando chovia e a estrada sem encascalhamento, tornava-se altamente escorregadia e perigosa.
    
Naqueles dias a tensão era maior ainda, uma vez que semanas antes, um caminhão perdera os freios e caíra no rio Araguari, com carga e passageiros; e a tragédia do hirondelles ainda era motivo de comentários.
Fonte: pelasruasdebelem.blogspot.com

Imagem extraida de: http://www.iguatu.org/
     O caminhão começou a apresentar problemas antes mesmo de sair de Macapá, o temor maior era a chegada à íngreme ladeira do Tartarugalzinho e a tal travessia em Ferreira Gomes. Mas não foi nenhuma coisa, nem outra que nos levou a grandes emoções. Cochilava recostada em uma saca de farinha, quando acordei com gritos de: - fogo! fogo!
     Só o instinto de sobrevivência para explicar a descoberta que fiz naquele dia: no hirondelles do cearense, pobre também avuava. Em segundos voei pra fora do caminhão que pegara fogo justamente na boléia.
Crônica 4 da Série – Macapá de minhas lembranças – versão 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Deu a louca na praça

     Manhã de sábado e de sol em Porto Velho, desci a ladeira à procura daquela promoção, insistentemente anunciada na televisão. Ouço música ao longe, como as flautas mágicas dos músicos de Hammellin, ela me atrai, mais que o apelo consumista da feira de sapatos. No pensamento ainda as lembranças do show de Xangai, visto na noite dia anterior, e a mesma cobrança , que recentemente eu lera em jornais, a respeito de um show, livro, espetáculo: faltou emoção! Então é isso? Lemos um livro, assistimos a um show, buscando emoção?
     O jornalista José Castello em crônica no jornal Estado de São Paulo, “Carta a um escritor amordaçado” conta do desentendimento que teve com o escritor Bernardo Carvalho, contista, quando ao analisar o livro deste, Onze, apesar de reconhecer muitas qualidades no livro, achou-o desprovido de emoção. Na Parabólica,(coluna publicada no Jornal Alto Madeira) Ismael Machado deu espaço ao reclamo de uma leitora que também cobrava mais emoção, desta feita no show de Nilson Chaves. E não foi essa a minha cobrança naquele espetáculo teatral com o Grupo que veio do Rio de Janeiro para o encerramento da Semana de Teatro do SESC? Tudo muito bonito, tudo muito certinho, mas sem contagiar o público.
     Na praça quem toca é uma banda militar, estudantes uniformizados formam um público especialmente convidado para uma festa que não sabemos qual. Mas o povo que passa, vai parando para ouvir a banda tocar. Ao meu lado dois rapazes se perguntam o motivo da retreta: - não sei,  mas acho que deveria ter mais vezes e ser divulgado para o público, responde um deles.
     A música é bonita, me faz pensar em dançar, pelo menos acompanhar a cadência da música, com um remelexo do corpo. Olho em volta , ninguém parece estar encorajado a fazer o mesmo, são apenas observadores de um espetáculo, rostos rijos, parecem não se achar no direito de subir nesse palco. Até as palmas, depois de cada música executada, são tímidas,comportadas.
Mas de repente eis que ela surge, a louca, a doidinha, a dançarina da praça. Como se há muito houvesse ensaiado aquele número, ela dança. Ela tem ritmo, muda a coreografia no mesmo compasso da música, sorri, se exibe com sua roupa vermelha e as flores no cabelo, uma produção mal-produzida, uma beleza longe de ser reconhecida pelos padrões oficiais.
     Das estudantes adolescentes ela ganha risos de mofa, de outros nem isso. Porém, os pensamentos devem ser os mesmos: coitada! quem é essa louca?
     Louca ela, ou loucos nós, que não nos deixamos dominar pela emoção? Que permanecemos inertes enquanto a música pede para que nos embalemos? E assim vamos nos tornando cada vez mais rudes, rancentos, de mal com a vida.
     Quem sabe tivesse eu, feito louca, dançado na praça, teria saido dali mais leve, não teria comprado briga com o comerciante que me atendeu mal e estragou o meu dia!
Em tempo: falando de música , de emoção , e de Xangai , este, no show, pediu a um certo Zé para cantar-lhe uma canção. O Zé roubou a cena, com uma voz maravilhosa cantou e encantou e deu aquele tempero que estava faltando no espetáculo: a emoção.
Crônica da Série Um Dedo de Prosa, publicada originalmente no Jornal Alto Madeira - Porto Velho, em  agosto/1996
Em tempo 2011:
A Elielza, a Bailarina da Praça continua dançando, não só na praça mais em todo e qualquer palco onde lhe dão oportunidade de subir.
O certo Zé  era nada mais, nada menos que o grande Zezinho Maranhão.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tem coisa bem pior!

     Certa vez em um debate-papo com minhas PUF amigas , uma delas contou de alguns perrengues que estava passando, e que aprendera a não se lamentar , depois que ouvira uma entrevista com a novelista Gloria Perez, no programa Saia Justa. Quando perguntada sobre o seu câncer, Glória respondeu, tem coisa bem pior. Imagino que para a autora, bem pior foi ter sofrido a dor de perder a filha ainda jovem e brutalmente assassinada.
     Uma coisa puxa a outra, lembrei de uma viagem ao município de Buritis-RO em agosto 2009. Eu estava, junto com uma equipe de profissionais de várias instituições governamentais fazendo palestras sobre Prevenção a Queimadas. No dia da palestra em Buritis, acordei as cinco horas, porque dormira mal ( éramos 4 mulheres e dividimos duas camas de casal, porque era o que o hotel tinha para oferecer). Poderia ser bem pior, no dia anterior dormimos em Rio Crespo, “um lugarzinho no meio do nada”, conexão de internet péssima e dormimos nuns colchões no chão, dentro de uma sala do Corpo de Bombeiros.
     Ainda na linha do "bem pior". As três colegas são todas originárias do sertão nordestino (RN, BA, PB). Na hora do jantar o assunto em pauta foram histórias em comum da vida de cada uma: o machismo da cultura nordestina, os "carinhos" paternos = surras por qualquer coisa, que chegavam ao requinte de crueldade. Mesmo assim elas diziam entender os pais ( o pai principalmente) e os amar. Só a mais nova, manifestou revolta, mesmo não tendo sido da geração que levou grandes surras, mas as que levou marcaram, e foi SÓ por desobedecer o "toque de recolher" do pai, ou porque, aos 11 anos, tombando de sono na madrugada carregando uma tina na cabeça, tropeçou e caiu com a tina e toda a ração para o gado.
     Um delas contou que quando foi para a Universidade em Campina Grande-PB,  ao ver pela 1a. vez o bandejão do RU cheio de comida, ela não conseguia comer só chorava lembrando dos irmãos que ficaram lá no sertão e não sabiam o que era aquilo. Naquela noite, ouvi cada história dessas mulheres, que eu só pude pensar que a minha infância pobre não foi nada perto do que elas viveram. Aparentemente, a delas foi bem pior!

domingo, 10 de abril de 2011

O Galo de Tróia

     A menina que nasceu no meio do mundo era ainda criança, quando sua tia Clotilde olhou para as mãos de longos dedos da pequena, que a ajudava a atirar milho as aves no quintal, e vaticinou : ela seria pianista ou jornalista.
      Nascida no meio do mundo, na latitude zero da Linha do Equador, a menina vivia em uma casa com muitas aves criadas soltas no terreiro, poucos livros na estante e nenhum piano na sala. Sem nenhuma vocação para criar galinhas, ela optou pelo estudo da Comunicação Social, imaginando seus dias de redatora, diante de uma máquina datilográfica. Computador? Em sua infância ainda era objeto de ficção científica.
     O que ela não imaginou foi que, mesmo não sendo jornalista, traçaria uma trajetória próxima ao metiê e um dia estaria trabalhando - e vivendo situações inusitadas - como pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
A Embrapa comemora 35 anos de atividades, a menina , há 19 anos faz parte dessa história. Mas, sua ligação com a empresa vem de muito antes. Começou há 27 anos, quando ainda estudante universitária e estagiária da Fundação Projeto Rondon, ao ensejo de uma campanha de preservação do pau-brasil (Caesalpinia echinata) , ela foi incumbida de ir até a Embrapa -CPATU em Belém, fazer a entrega e o plantio solene de uma muda da espécie, enviada especialmente de Pernambuco.
     Colaborar para conservação das espécies florestais estava no seu destino. No dia em que a menina, então pesquisadora, estava fazendo a reunião de encerramento de um projeto de organização comunitária para o manejo florestal em um assentamento rural, um episódio a fez recordar o vaticínio de sua tia e desejar que a profecia da infância tivesse recaído na arte de ser pianista.
     No local onde fazia a reunião final, moravam três Marias: do Carmo, Raimunda e Rita, irmãs que sozinhas “tocavam” a propriedade, tipica de agricultura familiar. Depois de assistirem os vídeos com imagens de todas as etapas de trabalho desenvolvido e responderem a uma porção de perguntas, que visavam avaliar o projeto; elas levaram-na a conhecer a barragem que estavam construindo na fundiária. Disfarçando o pavor de levar uma carreira do rebanho bovino, ela aceitou o convite de D. Rita para posar para uma foto, diante das “meninas” que encontraram pelo caminho: “Malhada”, “Branquinha”, “Mimosa” e tantas outras.
     Chegou a hora da despedida. Com a intenção de agradecer o trabalho desenvolvido ao longo de dois anos, as Marias resolveram lhe fazer agrados. Do Carmo, a mais velha e mais séria das três senhoras lhe deu cinco ovos de galinha caipira; Raimunda, trouxe-lhe um saco de farinha de mandioca; já Rita cismou de presenteá-la com um frango: - Pra comer uma galinha caipira no final de semana! Disse-lhe ela, tentando convencê-la e vencer a recusa inicial.
     Ela acabou aceitando o presente, diante da insistência das irmãs e do apoio do motorista, que tratou de arranjar um saco de aniagem, com alguns furos para que o bicho pudesse respirar, e um lugar no porta-malas do carro. Na estrada um pensamento lhe assaltou a mente: em que momento um frango se transforma em galinha caipira? Ela não sabia, tampouco sabia o que iria fazer com aquela ave, até o dia seguinte quando contaria com a cumplicidade da empregada para matá-lo. Ou, para ser politicamente correta: esperava contar com a colaboração da secretaria do lar, para abatê-lo.
     Já na empresa, fez o transbordo do bicho para o porta-malas do seu carro. De início podia ouvir seus ruídos, como se o animal estivesse tentando se libertar, mas depois não ouviu mais nada. Temeu encontrá-lo "mortinho da silva". Mas depois sossegou: se os assaltantes rodam por horas com uma pessoa trancada na mala do carro e ela não morre asfixiada, não haveria de ser um frango que iria morrer!
     Estranhamente, gatos, patos, galinhas e seus pintainhos, sempre provocaram nela mais aversão do que uma barata. Talvez porque barata nenhuma tenha lhe afrontado, como faziam os patos do quintal da sua infância. Isso explica a dificuldade em fazer o desembarque do frango ao chegar em casa. A idéia de ter que pegá-lo, lhe causava arrepios. A filha adolescente, também urbanóide avessa a bichos, logo protestou: - mãe, porque não recusastes? Porque não dissestes que moravas em apartamento? Inquiriu a filha, sem saber que o caipirão, não fora dado para cria, mas para o almoço do final de semana.
     O bicho foi solto no canteiro de um amplo quintal, 600 m² de terreno, com muitas árvores. Ele fez um alarido, assanhando cachorros e galos da vizinhança. Sem nenhuma experiência como adestradora de galinha caipira, ou melhor, de frango, que na verdade mais parecia ser um galo; ela ficou a observá-lo, esperando que ele escolhesse o galho de uma das árvores para se empoleirar. Mas, depois de muito rodar pelo quintal e até ensaiar um vôo, saltando o muro, rumo à casa vizinha, o bicho foi se aquietar justo sobre o balcão da pia da área da churrasqueira.
     - Ah, não! aí não ! Protestou o marido, que desde o início rejeitara veementemente a presença da ave no quintal. Para ele a solução mais prática seria abrir o portão e deixar o bicho correr para rua. Mas ela não teve coragem, seria menosprezar o presente dado com tanto carinho e insistência. Posto pra correr, finalmente o bicho foi sossegar no canteiro.
     No dia seguinte, a empregada não veio. O frango, que pelo cantar da madrugada, ela passou a ter certeza de que era um galo, reinou absoluto no quintal. Sem milho para comer, ele avançou sobre as flores da pitombeira em crescimento, para desespero do dono da casa. Caiu a noite . Lá estava o bicho de volta ao balcão da pia, para sua segunda noite de sono. Quando viu a cena , ela ainda tentou ser gentil, chamou-o pelo primeiro nome que lhe ocorreu batizá-lo: - Odorico, vá dormir no canteiro!, sob o protesto da filha: - mãe, não invente de dar nome pra esse bicho, que pega amizade!
     Mais tarde, quando foi fazer mais uma vistoria, encontrou-o empoleirado em cima do carro, recém adquirido. Foi a vez dela protestar: - Ah! Não Odorico, aí não! Ele desceu rapidamente , não de um pulo só, como ela gostaria, mas percorrendo de um lado ao outro do teto do carro, deixando a lataria toda riscada. Ela decidiu: seja frango, galo ou galinha caipira, “... tantas fez o moço” que vai pra panela!
Na segunda-feira, Odete, a empregada, perguntou: - faço assado ou à cabidela?
E a outrora menina do meio do mundo, arrependidíssima de ter aceito o presente de grego ofertado pelas irmãs Maria, entregou os pontos:
- Faça como quiser, não me importa, pois, sinto que não vou comê-lo, já peguei amizade!
Conto de minha autoria, finalista do V Festival Arte & Cidadania, Embrapa, 2008. 

sábado, 9 de abril de 2011

À francesa

     Com a desistência de minha filha, assimilei rapidamente a ideia de que viajaria sozinha para França.
     Quando ainda estava estudando Jornalismo, uma jovem colega de curso, que trabalhava na TAM, me falou que em suas primeiras férias iria realizar seu sonho de conhecer Paris. Levei para ela alguns roteiros e um exemplar do meu livro de crônicas de viagem . Por uma feliz coincidência, um ano depois, nas vésperas da viagem, fiquei sabendo, pelo Orkut, que ela, que agora morava em SP, estaria na França no mesmo período que eu. Um reencontro com Livia, entrou para o roteiro da viagem.
     Cuidei para que nada desse errado. Desta vez não teria problemas com a carteira internacional de vacinação, a emitida em 2001 permanecia válida. Me matricular no curso em Antibes foi fácil, tudo feito pela internet, o mais difícil foi enfrentar a fila do Banco do Brasil para fazer o pagamento.

     A compra de passagens de trem para os deslocamentos na França também foram todas pela internet. Era até gostoso entrar no site Voyages-sncf e procurar os melhores horários e preços, e por vezes achar ótimas promoções do tipo pagar bilhete de 1ª. Classe por preço de 2ª.
     Contei com ajuda de minhas amigas Flavenet e Jô em Paris e Rachel em Perrigueux, que me deram as dicas sobre quais os melhores percursos e horários. Jô , com seu jeito francesa de ser, me alertou que eu poderia ter problemas de enfrentar fila para retirar meu bilhete de trem na loja da SNCF em Paris. E foi além: "- ...estamos no outono, nada de botas , ou você vai estar ridicule!"
     Quando já estava com tudo definido, preparei uma planilha com todas as informações: datas e horários de viagem, No. do voo , ou no caso de trem, nome da Gare; e também o local de pernoite, endereço e contatos telefônicos da escola em Antibes e dos amigos que me hospedariam; e encaminhei para todos via e-mail. Quando viu minha planilha, com uma viagem tão organizada, Jô não acreditou, dizia admirada: - isso não é coisa de brasileiro! Vânia é uma francesa!
Aeroporto do Galeão, RJ , 12/03/2009, 23h,
     Mantive o embarque para Paris via RJ. Embarquei na madrugada de 12/03/09, em Porto Velho. A programação de passar o dia passeando no RJ foi frustrada pela chuva, passei o dia trancada no apartamento de minha amiga. A noite, fui cedo para o aeroporto do Galeão, por coincidência encontrei um amigo que morara em Porto Velho e estava esperando a esposa chegar de viagem. Ficamos conversando, relembrando histórias e pessoas em comum em P. Velho e foi ótimo, o tempo de espera passou rapidamente. Quando ele foi embora, só não fiquei tão sozinha com o meu notebook porque a moça da limpeza cismou de puxar papo sobre celular, já que o meu era do mesmo modelo que o dela.
     No voo de PVH ao RJ, dormi e não dei papo pra moça sentada ao meu lado. Agora, depois do embarque solitário, quando finalmente estava no avião, descobri que a passageira da poltrona ao lado era a mesma moça do voo da madrugada: uma rondoniense, que morava na Espanha e para lá retornava.
Não foram muitas coincidências? ;-)

Crônica 3 da Série França, um sonho premiado.
As anteriores estão aqui:

Ela disse não a Paris
França: um sonho premiado

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O ontem e o hoje...

1- Amanheci  "ressacada" das tensões de ontem: o massacre de estudantes em uma escola no RJ (Realengo),  os prazos  de projetos e artigos, prorrogados na última hora; e fechando a noite  o acidente de trânsito envolvendo minha filha. O causador do acidente está internado em estado grave. Fiquei pensando: será que meus filhos estão educados, pelo exemplo, a não fugirem de suas responsabilidades? O rapaz que conduzia o carro, já havia  causado um acidente de menor proporção uma esquina antes. Se ele tivesse parado e assumido seu erro , não teria seguido adiante e causado um acidente de proporção maior,  e que o deixou em risco de morte.

2- As mídias  exploram  à  exaustão , imagens e depoimentos comoventes de familiares das vítimas do massacre de Realengo. E eu mesmo com lágrimas nos olhos me pergunto, que jornalismo é esse? E que jornalista eu seria , se tivesse que trabalhar com o jornalismo factual? 

3-  Manhã de trabalho perdida em espera por atendimento médico.  Só para ouvir o ortopedista dizer que minha escoliose não me mata, nem morre, antes que eu. Que as distonumseidasquantasservicais não tem nada a ver com hérnia de disco, mas sim com os meus mais de 50 fevereiros.

.... e o amanhã?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dia d@ Jornalista

Este é o primeiro ano, em que passo a data como jornalista  diplomada.
Assim que eu sobreviver  ao fechamento de um projeto retorno, para contar sobre  minha primeira vez como jornalista: 1- sem carteirinha , 2- com carteirinha ; e 3- com carteirinha e diploma!
Eu em SP, na rua que homenageia o jornalista assassinado.
Voltei ! Depois de muito correr descubro que o prazo para o envio do projeto e do artigo foram adiados.
     Minha filha , hoje me dispensou do serviço de "Jarbas" , ela não gosta de ir dirigindo ao treino de voleibol, porque teme por sua segurança, pois volta 1h da madrugada, prefere que eu a leve e voltar de carona com uma colega; mas hoje resolveu ir sozinha.
     Com menos de 10 min que tinha saido me ligou. Um motorista que acabara de bater em outro carro na esquina da  Carlos Gomes, tentava fugir e acabou batendo no carro dela, na Jorge Teixeira c/ a 7 de Setembro. Graças a Deus ela não  se machucou, mas a avaria foi grande.

Quando cheguei  lá, além da Policia Militar  estavam duas equipes de TV.
Foi assim que, pela primeira vez minha filha se envolveu num acidente, e eu revi minha amiga  Cristiane , exercendo o sagrado oficio do jornalismo.
     E as histórias de primeira vez prometidas ficam para outra vez! ;-)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Invasor no Fest Cineamazônia

Passei ontem na Caixa Postal, 715 e para minha surpresa, dentre  os extratos bancários e malas-diretas estava um envelope da coordenação do VIII Fest Cineamazônia, com o meu  certificado de participação, além do livreto que lista todos os trabalhos participantes da Mostra Livre.
    Surpresa porque, eu inscrevi o documentário " O Invasor: o monstro do Lago Cujubim Grande"  e não recebi nenhuma confirmação de que o trabalho tinha sido aceito. Só pude participar da abertura do evento, porque em seguida viajei para uma temporada de 30 dias em Brasília, portanto nem pude ir conferir os filmes e vídeos que estavam em exibição.
     Achei que  não tinha sido selecionada, porque eu inscrevera na categoria ambiental, e ele foi feito como atividade da Faculdade, talvez devesse ter inscrito na categoria trabalho acadêmico, pensei arrependida.
     Passei esse tempo todo chateada, achando que tinha sido injusto não ter sido selecionada para o Festival, afinal o documentário apesar de amador ( e montado nas piores condições, brigando por horário no laboratório da Di-Faculdade), tinha uma abordagem totalmente dentro da temática ambiental e o meu roteiro estava bem construido, sem falsa modéstia.
     Não ganhei  o Prêmio que me daria a oportunidade de ir à frente para receber um Troféu Mapinguari! Seria a oportunidade de agradecer de público: ao pessoal da Comunidade Cujubim Grande ( Moura , D. Nazaré e o Jackson, lá do Sitio Arco-Iris); a minha colega Toninha, grande parceira na produção do vídeo; a professora Maria Athaide (FACOM_UFPa.) que me acompanhou nas filmagens no lago Cujubim, assim como minha amiga Silvia Ferradaes, recém chegada a Porto Velho e à Embrapa, e que eu convidei para ir e que levou uma inesquecível surra de pium.


Com Silvia, Athaide e D. Nazaré, ralando no Lago Cujubim, em junho 2009.
      Pronto estão feitos os agradecimentos, extensivo a namorido , que me emprestou o carro, para enfrentar  a estrada poeirenta de Cujubim.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Cartas do Mestre

Munhoz em foto de fevereiro,2011
Cartas do Mestre foi o nome do Blog que eu criei em 2003, mas que depois de uns dois anos, eu não dei conta de atualizar e o weblogger deu conta de extinguir.
O Blog foi criado em homenagem ao professor Antônio Munhoz Lopes , um reconhecimento ao professor de várias gerações de estudantes de Literatura e Lingua Portuguesa no Colégio Amapaense, em Macapá – AP.
Sempre lamentei ter perdido, os arquivos dos textos publicados no Blog, mas eis que outro dia, graças ao achado de um back-up datado de 2004, consegui recuperar parte dos textos. Foi então que decidi, reedita-los aqui no #PorOnde. A cada semana publicarei uma das muitas cartas que troquei com o Mestre nos anos de 2003-2004.

Prá começar, um pouco da história da criação do Blog Cartas do Mestre:

Quando lancei meu primeiro livro de crônicas, em 2003, não tive dúvidas que a pessoa mais indicada para fazer o prefácio seria o Antônio Munhoz, o professor que me fez amar cada vez mais a literatura e que por ser amigo de Lindanor Celina, me fazia sentir, por tabela, também amiga dela. Em janeiro de 2003, estando de férias em Macapá, retomei um contato perdido, desde 1975, quando fui sua aluna no CA.
Na tarde em que conversamos, no Hotel Santo Antônio, sua morada de muitos anos, foi sobre meu livro, mas muito mais sobre Lindanor Celina, que nós falamos. Disse-me que ela não estava bem de saúde, sofrera um derrame, não conseguia mais se expressar em francês. E eu tremi, temi por ela, afinal, em uma das crônicas do livro eu dizia que adiara o sonho de ir ter com ela em Clamart, na esperança de que assim adiasse a morte dela também.
     Munhoz escreveu um longo prefácio, que meu editor se incumbiu de cortar. Mas, percebi ali, naquele texto de quase quatro páginnas, que Munhoz também queria contar suas estórias de viagens. Incentivei-o: - por que não escreve suas memórias? E falei da internet, dos blogs... mas ele confessou, ser avesso a essa modernidade.
(Até hoje é assim. No aniversário de Macapá 2011, o reencontrei na festa. Os amigos, brincavam dizendo que não adiantava dar um celular pra ele, porque ele não usava).
     Ele nunca quis experimentar, tentar descobrir se é verdade que o mundo se expande diante de um computador.... que há possibilidade de encontros e reencontros... com seus amigos espalhados pelo mundo. Ele ainda prefere ficar com suas cartas que me chegam em envelope de borda verde-amarela e sua inconfundível caligrafia.
Verso e reverso de uma foto enviada pelo Mestre
Seis meses depois daquela tarde de conversa, lancei o livro em Macapá, sem a presença de Munhoz, que estava em mais uma de suas viagens pela Europa. Em 40 dias de viagem, ele me enviou dezenas de cartas e cartões postais. Foram essas cartas que me inspiraram a criar o blog.


Quem for "avesso a essa modernidade", escreva para o Professor Munhoz: Caixa Postal 59 - CEP.68906-310 - Macapá-AP.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O salvador que se salvou

     A casa dos tios Lulú e Mundinha, no município de Amapá era o lugar preferido para as férias de todos os primos da família Borges. O casal não tiveram filhos, mas perderam as contas de quantos afilhados, dentre eles Nazaré, quase uma filha adotiva.

     Não fui muitas vezes ao Amapá, mas são muitas as lembranças e histórias, desde a primeira viagem, quando eu tinha cinco anos. Fomos de avião até à Base Aérea e de lá a travessia numa canoa, que me causou trauma de infância.
(primeira viagem que eu me lembro , pois antes disso já tinha ido com minha madrinha, mas não lembro da viagem!)

Foto:Elcias, RioMadeira-RO
     Quando o primo Ivanildo nos pegou no colo para colocar na canoa, ela balançou de um lado pra outro e eu gritei aterrorizada. Desde então o medo de viajar de embarcação me perseguiu, e só largou de mim quando vim morar em Rondônia e tive que encarar o Rio Madeira.
A maior atração da casa dos tios era o quintal com suas árvores frutíferas, mangueiras e jaqueiras.  Certa vez, eu e Nazaré, ávidas por comer jaca, pegamos uma fruta ainda verde e a cortamos com um canivete suíço legitimo do tio. Não teve como esconder o resultado: o leite expelido deixou o canivete todo pegajoso, feito cola.
     Depois da bronca, o castigo era não ir brincar no quintal. Foi assim que eu, então com 10 anos, descobri onde meu tio escondia o tesouro por mim mais cobiçado, os seus livros. Ele os guardava debaixo da cama, eu os pegava e lia escondido, um deles tinha o título: O Salvador que não se salvou.
     Certa tarde, eu estava no pátio da casa quando chegou um rapaz para devolver dois livros que pegara emprestado. Ele perguntou se meu tio teria outros, mas este negou dizendo que não tinha mais nenhum.
     Eu que acompanhava a conversa, corri lá dentro e fui buscar o livro que eu lera escondido e mostrei-o para o meu tio, que não teve jeito senão emprestá-lo para o rapaz.
     Salvo pelo gongo de não voltar de mãos abanando, o rapaz foi embora todo contente dizendo: o Salvador que se salvou!
     Depois que ele se foi, eu levei a maior bronca de meu tio. Na minha ingenuidade, não havia percebido que meu tio mentira porque não queria emprestar livro algum para o rapaz.

domingo, 3 de abril de 2011

Das coisas que não escrevi no livro

     A crônica do post anterior é a segunda de uma série do que pode vir a ser meu segundo livro de crônicas de viagem à França. O primeiro França:um sonho de viagem , lançado em 2003, encontra-se praticamente esgotado. Minha mãe foi uma grande divulgadora e vendedora dos meus livros, mas também foi censora.
     Quando escrevi a primeira versão, mandei uma edição doméstica, que foi lida por quase todos os membros da família, em Macapá. Na crônica Chuva e Chapéu, sobre a visita ao santuário de Nossa Senhora de Lourdes, contei de como ela reclamara da nora, que fora à Paris e não trouxera nem uma medalhinha para ela. Mas quando ela leu, reclamou: - a Ana não vai poder ler esse livro. Eu disse: - deixe, encrenca de nora e sogra é normal e fica até engraçado. Mas ela achou melhor não e eu, por respeito aos seus cabelos brancos, transformei a nora em “filha de uma amiga de minha mãe”, o que não deixa de ser verdade já que a minha mãe e a da Ana, atualmente ex-mulher de meu irmão Ricardo, são amigas.
     Outra implicância de minha mãe foi com o fato d’eu ter explicitamente falado sobre as vizinhas racistas, que arriavam as calças e faziam o que hoje se chama de bundalelê: mostravam a bunda na janela, como forma de humilhar “as negrinhas”. Ah! Mas essa estória eu não concordei em mudar, foi minha doce vingança!
     Minha mãe ainda outro dia lamentou: - eu queria vender um livro para a Lúcia , mas tu colocaste aquela história da bunda! (na velhice a vizinha pediu perdão, voltou a ser amiga)
- Ah! Mãe venda assim mesmo, a senhora acha que elas virão devolver o livro, ou reclamar porque suas bundas viraram personagens?

sábado, 2 de abril de 2011

Ela disse não à Paris

Bia e a prima Leticia em Salinas
     Dezembro de 2008. De férias em Belém, tomando banho de mar em Salinas eu disse à minha filha: - já pensou quando estivermos lá na França?
      Para meu desapontamento, ela respondeu: - eu ainda nem sei, se vou mesmo viajar contigo! Já fiquei 30 dias longe do meu namorado, e daqui a menos de três meses ficar mais 20 dias? interrogou-me ela. 
     O namorado, que já fora a razão pela qual retornaríamos das férias na metade do mês, seria agora o empecilho para viajarmos juntas?
     Eu nada disse. Dezoito anos de convivência já foram o suficiente para saber que o DNA do pai é dominante quando o assunto é me contrariar. Com eles (pai e filha) se eu quiser alguma coisa é assim, tenho que não demonstrar muito que quero.
     Retornamos para Porto Velho na madrugada do dia do aniversário do namorado. Ignorando o não “não sei se vou...” daquele dia na praia, continuei com os preparativos. No final de janeiro estávamos com os passaportes tirados e as passagens compradas. O embarque seria em 12 de março, via Rio de Janeiro, para que ela conhecesse a Cidade Maravilhosa.
     De minha parte estava decidida, seria uma semana para estudos de francês e outra de visitas aos amigos. Depois de muito procurar escolas de língua e eventos ligados a minha área profissional, consegui achar uma escola cuja localização e condições de ensino e hospedagem me entusiasmaram, o Centro Internacional de Línguas em Antibes, na Côte d”Azur.
     Minha filha continuou a dar sinais de que não estava empolgada com a viagem. Os argumentos dela, que sempre estudou inglês, era de que ficaria “rodada” por não saber falar francês. Ela ficaria hospedada comigo na escola, sugeri que fizesse um curso de iniciante. As aulas seriam só pela manhã, teríamos a tarde e noite para visitar as cidades do entorno, como Nice e Cannes.
     Fiz uma última tentativa, procuramos programa de intercâmbio rápido em Londres, assim ela iria pra Londres enquanto eu estivesse em Antibes, uma semana depois nos reencontraríamos, para seguir viagem pela França. Também, vimos que haviam escolas de intercâmbio de inglês na própria França, mas além dos preços serem infinitamente superiores ao preço que pagaríamos para nós duas no CIA, minha filha continuava com nhenhenhem.
Cansei! Quando caiu a ficha de que eu poderia ter mais aborrecimento do que prazer em viajar com minha filha, tomei uma decisão que só foi comunicada depois de ter feito: cancelei as passagens dela.
     No final de semana seguinte, quando uns amigos almoçavam em casa, o assunto era esse: como uma menina de 18 anos desiste de uma viagem à Paris?
     A amiga Niura disse que quando fosse avó iria contar para os seus netos que vivera situação semelhante na juventude e, para constrangimento do Jorge, então namorado de Bia, imitando voz de vovozinha ela concluiu: “... quando eu tinha 18 anos, desisti de viajar com minha tia para Paris, por causa de um namorado... Como era mesmo o nome dele?”

Leia AQUI a primeira crônica da Série:  França, um sonho premiado.